#15

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Friday, 4 May 2018

Por vezes, não sei o que querem dizer as palavras. Como se tivessem vontade própria e fossem elas a decidir por quem as diz, por quem as ouve.
Por vezes, as palavras não dizem nada, não escrevem, não ouvem, não parecem construídas com o mesmo alfabeto que aprendemos.
Por vezes as palavras que são ditas não são as que ouvimos.
Ouvimos palavras que nunca (nos) disseram.

2017.08.19 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#14

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Friday, 9 February 2018

Palavras dizem apenas o que não sabemos.
As que doem custam menos a dizer porque saem como flechas.
As outras, que tanto querias ouvir mas guardo tão dentro de mim, não são compostas de letras, acentos, significados. São pesadas como raízes, avessas como paixões, límpidas como o teu olhar à luz da lua, negras como o silêncio que não digo.

2017.08.09 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#13

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Friday, 3 November 2017

E depois, é talvez quando desistimos de procurar que é possível que o destino nos encontre. É talvez quando menos esperamos, e achamos que já desesperamos, que ouvimos alguém dizer que nos encontrou. 
- Encontraste-me e eu nem sabia que estava perdida. 

2017.04.06 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#12

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Friday, 11 August 2017

Estávamos sentados lado a lado quando as nossas mãos se entreolharam. Não nos conhecíamos, mas eu já sabia quem tu eras.
O teu olhar dizia-me que querias tudo, quando sabemos bem que a ambição nos faz correr riscos desnecessários para conquistar o mundo enquanto o medo nos impede de o alcançar.
- Não - o risco necessário é querer(-te) tudo.

2017.03.15 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#11

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Friday, 5 May 2017

O que lembro de ti quando te lembro supera a visão de ti.
Momentos sonhados em vão na esperança de inventar-te na memória, quando o que quero é tocar a tua presença na certeza de encontrar-te.

2017.03.15 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#10

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Friday, 17 March 2017

Onde estavas quando te encontrei à minha espera?
Enquanto espero, no vazio da tua ausência, imagino momentos que aconteceram mas parecem ter sido sonho. Estava(s) lá? Ou estava apenas a vontade de recordá-los mais tarde?

2017.01.12 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#9

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Friday, 13 January 2017

Porquê sentir falta de quem não podemos ter?
A saudade – disseste – existe apenas dentro de nós. Lá fora, a vida acontece em paralelo a tudo o que poderia ter acontecido. Não sentimos saudade realmente do que vivemos, mas do que poderíamos viver agora se a paixão não tivesse sido substituída pelo vazio. Sentirmos saudade de quem nunca poderíamos ter sido é sofrer inutilmente, como se o que vivemos agora não existisse.
- Eu sei – mas foi por ti que a saudade existe dentro de mim.
- Mata-a. E deixa-me morrer com ela.

2016.10.26 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#8

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Friday, 16 December 2016

Como saber se o fizeste apenas para preencher a ausência? Como se preenchê-la com vazio fosse solução.
Cometemos os mesmos erros apenas para descobrir as mesmas respostas – as mesmas questões. Quando a resposta surge, tem que encontrar-te pronto a ouvir.

2016.01.27 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#7

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Friday, 28 October 2016

Uma corrida constante para chegarmos ao sítio onde queremos estar.
Assim, nunca poderemos encontrá-lo, nunca poderemos querer estar onde estamos.
Assim, nunca teremos o que procuramos.


2015.08.24 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#6

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Friday, 29 January 2016

Esperar. Respirar. Separar – a inspiração da expiração.

2015.05.20 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#5

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Friday, 22 May 2015

O sol nunca poderá perceber.
Por mais alto que esteja do nosso lado do hemisfério, por mais descoberto de nuvens que nos apareça, por mais quente que nos cheguem os seus raios em dia de Primavera que lembra o Verão, somos nós que temos que percorrer o caminho, independentemente de termos luz ou não.

2015.04.02 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#4

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Friday, 10 April 2015

Enquanto questionarmos, nunca saberemos o que fazer.
O maior dilema será saber parar com as questões antes que elas se tornem factores de dissuasão, em vez de factores de decisão. São palavras tão parecidas de qualquer modo.
A desculpa de não sermos obrigados a decidir é sempre o caminho mais fácil. Só quando todas as direcções se desenrolam à nossa frente é que parecemos não conseguir decidir para que lado estamos a olhar afinal – para trás?
(enrolar o novelo de novo, fechar os olhos, esperar que passe)

2015.03.18 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#3

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Friday, 3 April 2015

Certos passos são caminhos. Perdemo-nos, por vezes, quando tropeçamos, mas é sempre mais fácil encontrar o caminho de volta se olharmos em frente.

2015.03.17 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

#2

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Friday, 20 March 2015

Sento-me, na esperança de que a espera seja longa, para eu não ter que sentir o tempo a passar. Seria tão mais fácil se o soubéssemos desde o início, se pudéssemos estabelecer um prazo, definir um limite. Mas parece que às vezes a espera serve apenas de pretexto para inventarmos outra coisa para fazer entretanto.
Para quem não gosta de perder tempo, viver assim é o acto mais inútil possível, logo a seguir a estar vivo.

2015.03.10 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

# 1

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Thursday, 12 March 2015


Enquanto os segredos superarem as memórias, ficarei aqui. Talvez um dia volte a ser tempo de recordar o tempo que ainda tínhamos para viver. Como se memórias passadas fossem feitas, apenas, de sonhos futuros.
Talvez um dia descubramos que os sonhos não se perderam. Ficaram apenas numa despensa à espera dos dias em que sair para ir às compras não fosse possível, ou simplesmente já não nos satisfizesse.
Talvez um dia recorde quem fui, sendo-o – pela primeira vez.

2015.03.09 [Fragmentos de um Todo Incompleto]

Ana Pina | blog

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