O desafio foi lançado
aqui. Não gosto muito de dar continuidade a pedidos em cadeia, mas este não podia deixar de aceitar, por duas simples razões. Em primeiro lugar, a
Maria tem um dos blogs mais belos que conheço e acompanho regularmente, para além de um
trabalho absolutamente delicioso. Em segundo lugar, porque o tema do desafio me diz muito: ler e escrever são para mim das coisas que mais prazer me dão e terei muito gosto em recordar livros que me apaixonaram e partilhar convosco a difícil escolha dos 15 escritores que mais gostei de ler - até hoje, porque muitos mais virão!
É difícil não ceder a combinar nesta lista dois critérios: alguns são nomes de escritores favoritos, outros serão títulos favoritos, porque por um motivo ou por outro não tive oportunidade de ler mais do que uma obra desse autor, ainda que me tenha marcado.
O primeiro nome incontornável é o de
José Saramago. Tinha 15 anos quando li o primeiro livro de Saramago, 3 anos antes de ele ganhar o Nobel em 1998, o que me deixou muito orgulhosa. Dos 16 romances que escreveu já li 11 e sei que é uma questão de tempo até os restantes ocuparem o seu lugar na minha biblioteca. É o autor que mais admiro e um dos que mais prazer me dá ler, pela sua personalidade única, a sua ironia e lucidez, o seu humor e capacidade crítica - foi com tristeza que recebi a notícia da sua recente morte e não consegui evitar algumas lágrimas quando me apercebi da inevitabilidade de não mais voltar a ler um
novo livro seu... entre os meus favoritos estão
Ensaio sobre a Cegueira,
Evangelho Segundo Jesus Cristo e
Memorial do Convento.
Outro autor português que me cativa e faz pensar é
Vergílio Ferreira, que conheci através da
Aparição, de leitura obrigatória no meu 12º ano, mas que continuei a ler muito depois disso... bem como
António Lobo Antunes, que me fascinou inicialmente com a leitura d'
Os Cus de Judas.
Agrada-me a problemática existencialista na obra de
Milan Kundera, que chegou até mim pel'
A Insustentável Leveza do Ser e a escrita mágica de
Gabriel Garcia Marquez, que me deu a conhecer a persistência d'
O Amor nos Tempos de Cólera e os perigos e fragilidades do poder durante
O Outono do Patriarca.
A curiosidade e o interesse pela leitura de géneros diferentes levou-me ao longo dos anos a descobrir o imaginário de terror de
Stephen King, a controvérsia de
Henry Miller, o romantismo clássico d'
O Monte dos Vendavais, de
Emily Brönte, o fascínio pelo universo dos vampiros encontrado em
Drácula, de
Bram Stoker, a originalidade do vocabulário d'
A Laranja Mecânica, de
Anthony Burgess, a beleza triste d'
O Deus das Pequenas Coisas, de
Arundhati Roy ou o sinistro apelo aos sentidos d'
O Perfume, de
Patrick Süskind, cujo final ainda hoje ecoa na minha memória.
Falando de escrita não podia deixar de parte um dos géneros que grande presença tem tido na minha vida: a poesia. Elejo três dos nomes que sou capaz de ler até à exaustão, repetindo um poema atrás do outro:
Fernando Pessoa (sendo o meu heterónimo preferido o
Álvaro de Campos),
Miguel Torga e
Florbela Espanca.
Obrigada a estes e a muitos outros escritores por me fazerem viajar através das suas palavras!
Ainda para além das palavras fazem parte da minha biblioteca muitos livros de arte, arquitectura, viagens e até de culinária, que ocupam um lugar muito especial num dos meus espaços preferidos lá de casa.
Deixo também o convite a quem quiser participar no desafio: partilha os teus 15 escritores favoritos - deixa um comentário ou um link com a resposta, a minha curiosidade é grande!