Almada Negreiros // Museu Nacional de Soares dos Reis

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Tuesday, 20 February 2018










Mas quem escreveu esse enredo
que eu represento no personagem de mim?
(...)
Quem me fez o protagonista de uma vida que eu não sonhei.
Quem filmou o meu ser enquanto eu me sonhava?


Almada Negreiros, As Quatro Manhãs, 1935

PT
Almada Negreiros, no Museu Nacional de Soares dos Reis.
Vale a pena conhecer as várias personalidades de Almada, o seu sentido de humor, os deliciosos auto-retratos, as linhas de expressividade exacta dos seus desenhos - aquela que ele considerava a maior de todas as artes.
Vale ainda a pena, sempre, rever o Desterrado e apanhar sol no pátio do Museu - a exposição pode ser visitada até 18 de Março e a entrada é gratuita todos os Domingos até às 14h, por isso não há desculpas. Aproveitem!

EN
Almada Negreiros, exhibition at Museu Nacional de Soares dos Reis.
It's worth knowing the various personalities of Almada, his sense of humor, his delightful self-portraits, the exact and expressive lines of his drawings - the one he considered the greatest of all the arts.
It's also worthwhile, always, to review the Desterrado and sunbathe in the patio of the Museum - the exhibition can be visited until March 18th and the entrance is free every Sunday until 2pm, so there are no excuses. Enjoy!

Álvaro Lapa // Serralves

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Monday, 12 February 2018






PT
Álvaro Lapa, em Serralves.
A ver/ler!

EN
Álvaro Lapa, in Serralves.
To see/read!

Mindhunter

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Monday, 20 November 2017





PT
Sim, pode dizer-se que tenho um certo fascínio por histórias de serial killers e psicopatas. Desde filmes como Seven ou American Psycho, até séries como Dexter e Hannibal - se for bom eu vou querer ver, se for baseado numa história verídica, a curiosidade e interesse aumentam.

Mindhunter, série lançada pelo Netflix, baseada no livro com o mesmo nome, é uma adaptação livre do percurso dos dois agentes do FBI que criaram as bases da ciência comportamental e profiling criminal tal como o conhecemos hoje. Sim, algo do que vemos no facilitismo com que são apresentados os perfis em séries como Mentes Criminosas tem, apesar de tudo, alguma razão de ser.

O facto de a produção e grande parte da realização serem da responsabilidade de David Fincher, já seria para mim motivo suficiente para dar uma oportunidade à série, mas o tema e as incríveis personagens (sobretudo Holden) convenceram-me rapidamente - a forma como são acompanhados alguns crimes e temos contacto com alguns dos mais conhecidos serial killers reais é particularmente cativante.

A recente notícia da morte de Charles Manson e o facto de ter terminado de ver a primeira temporada ontem, pareceram-me bons pretextos para deixar-vos com a vontade de ver a série e, quem sabe, investigar um pouco mais sobre o tema. Eu já acrescentei este livro e este à wishlist!

EN
Yes, I admit to have a certain fascination with stories of serial killers and psychopaths. From movies like Seven or American Psycho, to series like Dexter and Hannibal - if it's good I'll want to see it, if it's based on a true story, the curiosity and interest increase.
Mindhunter, the Netflix series based on the book of the same name, is a free adaptation of the story of the two FBI agents who have set the groundwork for behavioral science and criminal profiling as we know it today. Yes, some of what we see in the easiness with which the profiles are presented in series like Criminal Minds has, nonetheless, some reason for being.

The fact that the production and much of the direction is David Fincher's responsibility would already be enough reason for me to give the series a chance, but the theme and the incredible characters (especially Holden) convinced me quickly - the way we follow some crimes and have contact with some of the best known real serial killers is particularly captivating.

The recent news of the death of Charles Manson and the fact that I finished seeing the first season yesterday, seemed like good excuses to leave you with the desire to see the series as well and, perhaps, to investigate a little more on the subject. I have already added this book and this one to the wishlist!

Paula Rego, Histórias e Segredos

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Monday, 10 April 2017




Toda a gente esconde coisas, em casa, no trabalho… E eu escondo no que pinto, nos bonecos. Escondo e não escondo, porque quando estou a pintar estou a mostrar, só que não se vê logo. Às vezes só quando se fala é que se vê, não é Lila?

PT
Sobre vida, morte e saudade, sobre aceitação e revolta, amor que é respeito, admiração e traição. Sobre a sociedade que reprime e a arte que liberta. Sobre o que mostramos e o que escondemos, sobre muros, escolhas e desejos, sobre a falta que nos faz quem está sempre presente. Sobre a necessidade de seguirmos o nosso caminho contra todos os monstros e todos os medos.
Vale bem a pena ver Paula Rego, Histórias e Segredos - no Porto passa até Quarta-Feira no Passos Manuel.

EN
About life, death and longing, about acceptance and revolt, love that is respect, admiration and betrayal. About the society that represses and the art that liberates. About what we show and what we hide, about walls, choices and desires, about how we miss who is always present. About the need to follow our path against all monsters and all fears.
Well worth seeing Paula Rego, Secrets & Stories - in Porto until Wednesday at Passos Manuel.

Nick Cave // One More Time With Feeling

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Friday, 9 September 2016



PT
Sobre a perda, o amor e a inevitabilidade da morte - e da vida.
Um intenso documento sobre a beleza da imagem, da música, da poesia.
Imperdível para quem admira Nick Cave: One More Time With Feeling.

EN
About loss, love and the inevitability of death - and life.
An intense document on the beauty of image, music, poetry.
A must for anyone who admires Nick CaveOne More Time With Feeling.

Espaço Miguel Torga // Souto de Moura

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Thursday, 4 February 2016



PT
Depois da visita à Quinta do Portal, seguimos para S. Martinho de Anta, terra onde nasceu Adolfo Correia da Rocha, que havia mais tarde de assinar como Miguel Torga - um dos meus poetas portugueses favoritos.
Aqui Souto de Moura projectou o Espaço Miguel Torga, que desde 2012 alberga uma exposição dedicada à vida e obra do autor, entre outras exposições temporárias.
Expressivos muros de xisto emolduram um jogo de cheio e vazio que contrapõe o edifício ao espaço destinado alternadamente ao mercado e parque de estacionamento para visitantes.
O edifício, voltado sobretudo para o interior, abre-se para o exterior no espaço do café, onde os muros de xisto são interrompidos por um envidraçado voltado para o por-do-sol.
Vejo um muro de pedra duro, fechado e ligado à terra, mas intenso, expressivo e caloroso, como as palavras do poeta.

Princípio

Não tenho deuses. Vivo
Desamparado.
Sonhei deuses outrora,
Mas acordei.
Agora
Os acúleos são versos,
E tacteiam apenas
A ilusão de um suporte.
Mas a inércia da morte,
O descanso da vide na ramada
A contar primaveras uma a uma,
Também me não diz nada.
A paz possível é não ter nenhuma.

Miguel Torga, Penas do Purgatório, 1954

EN
After visiting Quinta do Portal, we went to S. Martinho de Anta, native village of Adolfo Correia da Rocha, who was to later sign as Miguel Torga - one of my favorite Portuguese poets.
Here Souto de Moura designed the Miguel Torga Space, which since 2012 houses an exhibition about the life and work of the author, among other temporary exhibitions.
Expressive schist walls frame a game of full vs empty that opposes the building to the free space that serves alternately the market and parking for visitors.
The building, designed towards the inside, opens to the outside in the cafeteria, where the schist walls are interrupted by a glassed facade facing the sunset.
I see a wall of stone: hard, closed and earthed, but intense, expressive and warm, like the words of the poet.

David Bowie

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Monday, 11 January 2016


[source]

Let's be heroes.
RIP David Bowie.

PT
Que subas às estrelas de onde vieste.

EN
May you raise to the stars where you came from.

The Walk

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Wednesday, 6 January 2016



[The Walk]

PT
Há sonhos que parecem impossíveis. 
Quando temos um plano e tudo parece correr mal é inevitável pensarmos se será um sinal de que devemos desistir ou apenas um teste à nossa capacidade de lutar pelo que queremos.

The Walk conta as peripécias por que passou Philippe Petit para realizar o seu sonho aos 24 anos - aquilo a que ele chama le coup e que viria a ser considerado o crime artístico do século.
Depois de o ver percorrer ilegalmente um arame com cerca de 60 metros de comprimento à altura de 400 metros entre as torres gémeas do World Trade Center durante 45 minutos, usando apenas o seu corpo e uma vara de 8 metros, senti-me pequena, muito pequena - tão pequena como aquelas pessoas que do chão o admiravam de boca aberta e olhos postos no ar naquela manhã de 7 de Agosto de 1974.

EN
Some dreams seem impossible.
When we have a plan and everything seems to go wrong is inevitable to think if it's a sign that we should give up or just a test to our ability to fight for what we want.

The Walk tells the adventures undergone by Philippe Petit to accomplish his dream at age 24 - what he calls le coup and what would be considered the artistic crime of the century.
After watching him walk illegally on a wire with about 60 meters long, to the height of 400 meters between the twin towers of the World Trade Center for 45 minutes, using only his body and a pole of 8 meters, I felt small, very small - as small as those people who admired him from the floor with their mouth open and the eyes on the air on that morning of August 7, 1974.

Museu de Serralves // Helena Almeida

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Wednesday, 25 November 2015



PT
Até 10 de Janeiro, a não perder no Museu de Serralves: Helena Almeida.
Absolutamente fantástico - o conceito, o processo, o resultado.

EN
Until January 10, don't miss at Serralves Museum: Helena Almeida: My work is my body, my body is my work.
Absolutely amazing - the concept, the process, the result.

Bragança // Centro de Arte Contemporânea Graça Morais

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Wednesday, 25 March 2015



PT

Digo o que os outros não podem dizer porque apenas falo de mim.
Graça Morais

Um dos lugares que mais prazer me deu visitar em Bragança foi o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais. Não só porque o edifício se trata de uma obra de recuperação e ampliação da autoria de Souto de Moura, mas também porque há muito admiro o trabalho de Graça Morais, sem nunca ter tido a oportunidade de o ver a esta escala ao vivo.

Faço minhas as palavras de um dos meus poetas preferidos, também ele transmontano, Miguel Torga.

EN

I say what others can't say because I only speak of myself.
Graça Morais

One of the places that gave me more pleasure to visit in Bragança was the Center for Contemporary Art Graça Morais. Not only because the rehabilitation and extension of the building is a project by architect Souto de Moura, but also because I long admire the work of Graça Morais, without ever having had the opportunity to see it live at this scale.

A wonderful kingdom.
I echo the words of one of my favorite poets, also from Trás-os-Montes, Miguel Torga.

Uma Viagem à Índia

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Monday, 14 July 2014

De qualquer maneira, ninguém está assim tão vivo.
O inexplicável não é, muitas vezes, o reduzido número de paixões
por dia, mas sim a razão por que não nos atiramos todos,
um a um, a intervalos regulares, de um prédio alto.
Não há duas pessoas que estejam ao mesmo tempo
no mesmo lugar: uma pessoa foge das
outras. No autocarro, lê-se o jornal para não se olhar para o lado.
O frio deixou de entrar pela janela - entra pelas notícias.
Fecha-se o jornal; já podes levantar os olhos: felizmente estás sozinho.

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia
40, canto V, página 221

PT
A leitura de qualquer livro de Gonçalo M. Tavares será, muito provavelmente, uma maravilhosa viagem.
Conheci-o com a leitura de Jerusalém, um pouco por acaso, e quando fechei o livro depois de ler a última página, tive a certeza de que seria um autor que iria reler e reler ao longo da vida.

Difícil descrever a sensação - a de ter descoberto um autor que servirá sempre de referência, do qual irei sempre querer ler os próximos livros publicados ou descobrir os livros que existiram antes disso.
Senti-o com Saramago, aos 15 anos, e nunca voltei a senti-lo com a mesma intensidade.

Uma Viagem à Índia é, definitivamente, um livro diferente. Percebe-se mal se abre o livro, pela forma como está escrito, que a leitura não será fácil nem comum. Uma epopeia moderna, cheia de referências, reflexões, frases-revelação. Exigente e rigoroso, Gonçalo M. Tavares parece encarar o pessimismo com a naturalidade de uma lucidez desconcertante, enquanto aborda os temas da morte, da existência e crueldade humanas com uma intensidade séria e segura, digna de um raciocínio matemático.

Se gostam de ser psicologicamente surpreendidos, não deixem de ler Gonçalo M. Tavares.

EN
To read any book by Gonçalo M. Tavares will, most definitely, be a wonderful trip.
I first contacted his style with the reading of Jerusalém, somewhat by chance, and when I closed the book after reading the last page, I was sure it would be an author I would reread and reread throughout my life.

It's difficult to describe the feeling - to have discovered an author who will always serve as a reference, whose published books I'll always want to read.
I felt it when I first read Saramago, at age 15, and never felt it with the same intensity again. 

Uma Viagem à Índia [A Voyage to India] is definitely a different book. One perceives it in the instant one opens the book, by the way it's written: the reading won't be easy nor common. A modern epic, full of references, reflections, revelation-phrases. Demanding and rigorous, Gonçalo M. Tavares seems to see pessimism with the naturalness of a disconcerting clarity, while deals with themes of death, existence and human cruelty with a serious and self-assured intensity, worthy of mathematical thinking. 

If you like to be psychologically overwhelmed, don't forget to read Gonçalo M. Tavares, a Portuguese author translated in over 45 countries.

Emilie Flöge

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Thursday, 30 January 2014







PT
Por vezes a sua história acaba por ser tão inspiradora como a do artista - e talvez por isso o inspire tanto.

Desta vez trago-vos Emilie Flöge. Encontrei uma série de fotos enquanto procurava pela net obras de Gustav Klimt, um dos meus pintores favoritos, e logo me chamaram a atenção.
Musa, companheira de vida e amiga íntima do pintor, destaca-se também por ter sido uma empresária no mundo da moda, numa altura em que o mundo dos negócios pertencia aos homens. Com a irmã mais nova e cunhada de Klimt, Helene, dirigiu com sucesso um salão de alta costura em Viena entre 1904 e 1938, altura em que a II Guerra Mundial começou a fazer os seus estragos na cidade.

Revolucionária para a época, a moda de Emilie era marcada por padrões, folhos, vestidos femininos de linhas largas e confortáveis, chapéus extravagantes. Que bem que qualquer um destes modelos ficaria retratado num quadro de Klimt, não acham?

[Encontrei as fotos neste fantástico pinterest. Nas legendas, é possível ler descrições completas com datas e outras informações interessantes.]

EN
Sometimes her story ends up as inspiring as the artist - and perhaps that's why they inspire them so much .

This time I bring you Emilie Flöge. I found a series of photos while searching the net for works of Gustav Klimt, one of my favorite painters, and soon caught my attention.
Muse, life companion and close friend of the painter, she also stands out for being a businesswoman in the fashion world, at a time when the business world belonged to men. With her younger sister and Klimt's sister-in-law, Helene, she successfully led a haute couture fashion salon in Vienna between 1904 and 1938, when World War II started affecting the city.

Revolutionary for her time, Emilie's fashion was characterized by patterns, ruffles, feminine dresses in loose, comfortable lines, fancy hats. How well any of these models would be portrayed in a Klimt's painting , right?

[I found these photos in this amazing pinterest. In the subtitles, you can read full descriptions with dates and other interesting information.]

Fernando Pessoa

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Wednesday, 18 September 2013

Lisboa 08'13

E a cada dia que passa me sinto um pouco mais cobarde.

EN
Everything is bold for those who dare nothing.
Fernando Pessoa

And each day that passes I feel a little more coward.

Fundação José Saramago

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Friday, 13 September 2013

Lisboa 08'13
Lisboa 08'13
Lisboa 08'13
Lisboa 08'13
Lisboa 08'13

A Casa dos Bicos foi outro dos sítios que visitamos em Lisboa - não para apreciar a estranha arquitectura, mas para recordar com saudade o grande homem que dá nome à Fundação que lá se encontra: José Saramago.

Com a mesma veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos, reivindiquemos o dever dos nossos deveres.

EN
Casa dos Bicos was another of the places we visited in Lisbon - not to appreciate its strange architecture, but to remember with longing the great man who gives name to the Foundation housed there: José Saramago.

Dia Mundial da Poesia

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Thursday, 21 March 2013

A celebrar, com um dos meus favoritos.

Perfil

Não. Não tenho limites.
Quero de tudo
Tudo.
O ramo que sacudo
Fica varejado.
Já nascido em pecado,
Todos os meus pecados são mortais.
Todos tão naturais
À minha condição.
Que, quando por excepção,
Os não pratico
É que me mortifico.
Alma perdida
Antes de se perder,
Sou uma fome incontida
De viver,
E o que redime a vida
É ela não caber
Em nenhuma medida.


Coimbra, 2 de Março de 1979

Miguel Torga, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote, p 849

Camilo Castelo Branco

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Monday, 18 March 2013






Fez no Sábado passado, dia 16 de Março, 188 anos que nasceu Camilo Castelo Branco e eu lembrei-me que ainda não tinha partilhado por aqui as fotos da nossa visita à Casa de Camilo, já em Setembro de 2011.

Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa em 1825 e depois de uma vida conturbada e de prolífica produção literária, acabou por suicidar-se 65 anos depois em S. Miguel de Seide, após confirmado o estado de cegueira irreversível causado pela sífilis, na Casa construída pelo primeiro marido de Ana Plácido - a mais polémica e duradoura paixão de Camilo, pela qual enfrentou cadeia por crime de adultério.

O carácter irreverente e apaixonado de Camilo é transposto para a sua obra e reflecte-se no discurso emotivo da guia que nos acompanhou durante a visita, preenchido por curiosidades e histórias espontâneas. A Casa, embora tendo entretanto sofrido um grave incêndio e outras transformações, foi inaugurada como museu em 1958, após obras de requalificação que procuraram recriar uma versão próxima da do tempo de Camilo.

Em 2005 é inaugurado do outro lado da rua, o Centro de Estudos Camilianos, assinado por Álvaro Siza, que vem integrar a Casa num complexo maior, não só do ponto de vista geográfico como cultural, com vista à requalificação de todo o espaço envolvente e à promoção da obra de Camilo Castelo Branco no contexto da Língua e Literatura Portuguesas.

Em 2011 fomos finalmente fazer-lhe uma visita, afinal de contas está aqui tão perto!

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Last Saturday, March 16, we celebrated 188 years over the birth of Camilo Castelo Branco and I remembered that I hadn't shared here yet the photos of our visit to Casa de Camilo (House of Camilo), in September 2011.

Camilo Castelo Branco was born in Lisbon in 1825 and after a troubled life and prolific literary production, he ended up committing suicide 65 years later in S. Miguel de Seide, after the confirmation of irreversible blindness caused by syphilis, in the house built by the first husband of Ana Plácido - the most controversial and enduring passion of Camilo, for who he faced jail for the crime of adultery.

The irreverent and passionate character of Camilo is transposed into his work and fills the emotional speech of the guide who accompanied us during the visit, filled with curiosities and apontaneous stories. The House, however despite having suffered a serious fire and other transformations, was opened as a museum in 1958, after upgrading works that sought to recreate a version close to the time of Camilo.

In 2005 it opened across the street, the Centro de Estudos Camilianos, signed by Álvaro Siza, which comes to integrate the House in a larger geographic and cultural complex, envisioning to requalify the entire surroundings and promote the work of Camilo Castelo Branco in the context of Portuguese Literature.

In 2011 we finally went there for a visit, after all it's so near of Porto!

Fernando Pessoa

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Wednesday, 13 February 2013


Regras de vida (resumo):


1. Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opiniões.
2. Sê tolerante, porque não tens a certeza de nada.
3. Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os atos.
4. Espera o melhor e prepara-te para o pior.
5. Não mates nem estragues, porque não sabes o que é a vida, exceto que é um mistério.
6. Não queiras reformar nada, porque não sabes a que leis as coisas obedecem.
7. Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles.

[CAVALCANTI FILHO, José Paulo - Fernando Pessoa, uma quase auto-biografia. Porto Editora, 2012, p 111]

Françoise Gilot

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Wednesday, 12 September 2012

Françoise Gilot + Picasso

Enquanto estava de férias cruzei-me com uma entrevista a Françoise Gilot na revista Sábado. O nome não me pareceu familiar na altura, mas as primeiras linhas da entrevista, que a descrevem como mulher, musa inspiradora e mãe de dois dos quatro filhos de Pablo Picasso, fariam desta uma leitura a não perder.

Gilot, também artista plástica, "aguentou" viver 10 anos com Picasso e é a única sobrevivente das suas várias mulheres. Quando se conheceram separavam-nos 40 anos - Gilot tinha apenas 21.
Possessivo, irascível, inconstante, temperamental - o génio inteligente e criativo de Picasso parecia ter um reverso da medalha bastante pesado de carregar, tornando extremamente difícil viver com ele. Françoise sobreviveu, disse-lhe não, foi a única mulher a deixá-lo e ainda escreveu um livro contra o qual Picasso lutou judicialmente. Françoise Gilot pagou um preço alto por isso: aturou críticas negativas, viu o seu trabalho recusado e acabou por exilar-se nos Estados Unidos... mas nunca se arrependeu - para além de defender que os arrependimentos são uma pura perda de tempo, admite que viver com Picasso foi um desastre que valeu a pena.
Gilot recompôs-se e provou a Picasso e ao mundo que era mais forte. Continuou a pintar, passou a expor regularmente e tem agora um atelier bem perto de Montmartre, na cidade onde nasceu e onde, com 90 anos, ainda pinta diariamente.
Mas em vez de deter-me a apreciar a arte de Françoise Gilot, quero deixar-vos com as palavras que mais me marcaram ao longo de toda a entrevista e com que (tragicamente) me identifico.

(...) é muito mais interessante passar por coisas trágicas, com pessoas interessantes, do que viver uma vida maravilhosa com uma pessoa medíocre. (...) Se quisermos realmente viver, é preciso arriscar algo dramático - de outro modo não vale a pena viver a vida. Se arriscamos, passamos por coisas terríveis, mas, antes de tudo isso, aprendemos muito e vivemos mais, compreendemos tudo melhor. Não nos tornamos aborrecidos. Isso é o pior que nos pode acontecer: tornarmo-nos aborrecidos.

Agora ide, ide e vivei a vida.
A foto de Gilot com Picasso em último plano, essa, vai direitinha para a parede de inspiração.
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While on vacation I came across an interview with Françoise Gilot in Sábado magazine. The name didn't sound familiar at the time, but the first lines of the interview, describing her as wife, muse and mother of two of the four children of Pablo Picasso, determined this as an unmissable reading.

Gilot, also an artist, "endured" 10 years living with Picasso and is the only survivor of his several wives. When they first met they were separated by 40 years - Gilot was only 21.
Possessive, irascible, unstable, temperamental - the intelligent and creative genius of Picasso seemed to have a flip side quite heavy to carry, making it extremely difficult to live with him. Françoise survived, told him no, she was the only woman to leave him and even wrote a book against which Picasso fought in court. Françoise Gilot paid a high price for it: endured negative criticism, saw her work refused and eventually searched exile in the United States... but never regreted it - besides defending that regrets are a waste of time, she admits that living with Picasso was a disaster that was worth it.
Gilot recomposed herself and proved Picasso and the world that she was stronger. She continued to paint, started to exhibit regularly and now has a studio close to Montmartre, in the city where she was born, and where, aged 90, still paints daily.
But instead of taking my time to appreciate the art of Françoise Gilot, I leave you with the words that most influenced me throughout the interview and with which I (tragically) identify.

(...) it is much more interesting to go through tragic things, with interesting people, than to live a wonderful life with a mediocre person. (...) If we want to truly live, we must risk something dramatic - otherwise it's not worth living life. If we take risks, we go through terrible things, but above all, we live and learn much more, understand everything better. We don't become boring. That's the worst that can happen to us: to become boring.

Now go, go and live life.
The photo of Gilot with Picasso in the background goes straight to the inspiration wall.

celebrar o desassossego

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Monday, 18 June 2012

Contar os dias pelos dedos e encontrar a mão cheia.
José Saramago (16.11.1922 - 18.06.2010)

De cada vez que celebramos as suas palavras, a sua memória perdura mais demoradamente no tempo.
Que perdure também a indignação, o desassossego, a lucidez, a vontade de mudar o mundo e humanizar o Homem.

Ainda hoje, dois anos passados, recordo-o sem conseguir evitar uma lágrima e um sorriso.
Agora, há mais um novo e feliz motivo para visitar Lisboa.


[foto daqui]

To count the days by the fingers and find a hand full.
José Saramago (16.11.1922 - 18.06.2010]

Each time we celebrate his words, his memory lingers in time.
Let it also endure the indignation, the uneasiness, the lucidity, the will to change the world and humanize Man.

Even today, two years passed, I remember him without containing a tear and a smile.
Now there's a new and happy reason to visit Lisbon.

Júlio Resende (1917-2011)

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Thursday, 22 September 2011



[imagens encontradas via google images]

Júlio Resende (1917-2011)

Conheci-o pessoalmente quando, há muitos anos atrás, tive a oportunidade de estender o catálogo de uma exposição que inaugurava a um senhor de bigode e cabelo brancos e ar afável, para o ver devolvido com uma dedicatória e um sorriso.

Ontem a cor do mundo esmoreceu um pouco com a despedida de um artista que Queria efectivamente ser pintor - e conseguiu.

Tenho de uma vez por todas que fazer uma visita ao Lugar do Desenho.

Ana Pina | blog

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