Aparição // Vergílio Ferreira

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Thursday, 21 January 2016



Que havia, pois, mais para a vida, para responder ao seu desafio de milagre e de vazio, do que vivê-la no imediato, na execução absoluta do seu apelo? Eliminar o desejo dos outros para exaltar o nosso. Queimar no dia-a-dia os restos de ontem. Ser só abertura para amanhã.
(...) Ninguém pode pagar, nada pode pagar a gratuidade deste milagre de sermos. Que ao menos nós lhe demos, a isso que somos, a oportunidade de o sermos até ao fim. Gritar aos astros até enlouquecermos. Iluminarmos a brasa que vive em nós até nos consumirmos. Respondermos com a absoluta liberdade ao desafio do fantástico que nos habita.

Vergílio Ferreira, Aparição, p 85

PT
Li este livro pela primeira vez há cerca de 18 anos atrás, como leitura obrigatória do 12º ano. Muitos de vocês o terão lido também, não sei se com a mesma sensação de revelação que eu.
Ainda bem que fui obrigada, depois deste li vários outros de Vergílio Ferreira e sempre reencontrei a maravilhosa sensação de me reconhecer a mim mesma em muitas palavras.

Curiosamente, na altura li de um livro emprestado e quando há pouco tempo o livro me chegou de novo às mãos por acaso, não resisti a reler. Sempre achei que seria perda de tempo reler um livro (afinal há tantos bons para ler e tão pouco tempo!), mas não resisti à familiaridade das primeiras palavras, à sensação de redescoberta da revelação que o livro foi para mim na altura - e continua a ser agora, embora de modo diferente.

Já não me lembrava de todas as reviravoltas e dos muitos detalhes, mas lembrava-me bem da angústia de sentir uma vontade maior do que nós de fazer a vida ganhar sentido muito para além do que está diante dos nossos olhos. É algo incontrolável e inexplicável que nos deixa em constante insatisfação e sobressalto - como se devêssemos estar noutro lugar, a fazer outra coisa - como se nada bastasse.

Se gostaram deste, leiam também Estrela Polar, um dos meus favoritos.

EN
I read the book Aparição [Apparition], by Portuguese writer Vergílio Ferreira, for the first time about 18 years ago, as a mandatory reading at school. Many of you have read it as well, don't know if with the same sense of revelation as me.
I'm glad I was obliged, after this I read several other by Vergílio Ferreira and always rediscovered the wonderful feeling of recognizing myself in so many words.

Interestingly, at the time I read from a borrowed book and when recently the book came back into my hands as a mere chance I couldn't resist to read it again. I always thought it would be a waste of time to re-read a book (after all there are so many good to read and so little time!), but couldn't resist the familiarity of the first words, the sense of rediscovery of the revelation that the book was for me at the first time - and still is now, though differently.

I no longer remembered all the twists and many details, but remembered well the anguish of feeling a yearning greater than we, that life would have meaning far beyond what is before our eyes. It's something uncontrollable and inexplicable that leaves us in constant dissatisfaction and jolt - as if we should be somewhere else, doing something else - like nothing was enough.

If you like this one, read also Estrela Polar [Pole Star], one of my favorites.

Até ao Fim

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Friday, 10 August 2012

>> welcome The August Break

Até ao Fim

A vida inventa-se a cada hora em que ela se nos inventa, o meu olhar ilumina-se com a lâmpada de cada dia.
Vergílio Ferreira, "Até ao Fim".

Não me canso de ler Vergílio Ferreira, sempre sereno na sua dolorosa evidência de existir.
Agora, penso na próxima leitura a levar para férias. Sugestões?
O belo marcador de livros é feito pela Adriana, do Mundo Flo.
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Can't get tired of reading Vergílio Ferreira, always serene in his painful evidence of existing.
Now, I think about the next reading I'll take on vacation. Suggestions?
The beautiful bookmark is made by Adriana, from Mundo Flo.
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Ana Pina | blog

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