Bienal de Cerveira 2018

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Monday, 27 August 2018


PT
Vale sempre a pena uma visita à Bienal de Cerveira!
Depois de ter visitado pela primeira vez no ano passado não quero deixar de voltar. Desta vez o evento decorreu excepcionalmente em dois anos consecutivos, em jeito de celebração dos 40 anos.

Imperdível o passeio pela simpática vila onde cada recanto é invadido por novas expressões artísticas, a visita a cada sala do Castelo, com as obras a concurso, e a ida ao Fórum, onde em cada evento é homenageado um novo artista (desta vez Cruzeiro Seixas). Mas são muitos mais os espaços, as performances e eventos, impossível ver tudo num dia.

Desta vez, um pouco por acaso, tivemos a sorte de assistir a uma visita guiada ao Fórum, onde foi um prazer descobrir mais sobre a história da Bienal e a visão de Jaime Isidoro, pintor e galerista português, que acabaria por lhe dar início.

Para visitar ainda até 23 de Setembro!
Mais fotos aqui.


EN
It's always worth a visit to Bienal de Cerveira!
After going for the first time last year, I don't want to miss it again. This time the event took place exceptionally in two consecutive years, in a way to celebrate the 40 years.

Don't miss a walk through the friendly village where each corner is invaded by new artistic expressions, the visit to each room of the Castle, with the works of the contest, and the Forum, where in each event a new artist is honored (this time Cruzeiro Seixas). But there are many more spaces, performances and events, impossible to see everything in one day.

This time, a bit by chance, we were fortunate enough to attend a guided tour of the Forum, where it was a pleasure to find out more about the history of the Bienal and the vision of Jaime Isidoro, a Portuguese painter and gallery owner, who started it.

To visit until September 23rd!
More photos here.

Piódão

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Tuesday, 10 July 2018






PT
Piódão parece parada no tempo. Chamada aldeia presépio, parece quase uma miniatura com que alguém decidiu enfeitar uma encosta de montanha, casario-labirinto feito de xisto e recantos esquecidos.
A Casa da Padaria é o lugar ideal para ficar e admirar o conjunto logo pelo sol da manhã. O Solar dos Pachecos a paragem obrigatória para provar os petiscos locais: os maravilhosos queijos e enchidos, as broas de batata e de abóbora.
Estando bom tempo e as piscinas fluviais a funcionar vale a pena refrescar na água gelada e visitar também Foz d'Égua - de carro ou a caminhar pela serra, a distância de cerca de 3km.

Mais fotos aqui!

EN
Piódão seems to have stopped in time. It seems almost a miniature with which someone decided to decorate a mountain slope, house-labyrinth made of shale and forgotten corners.
Casa da Padaria is the ideal place to stay and admire the scenery by the morning sun. O Solar dos Pachecos is the must stop for sampling the local delicacies: the wonderful cheeses and sausages, the potato and pumpkin local breads.
Being good weather and the fluvial swimming pools open it is worth refreshing in the cold water and also visit Foz d'Égua - by car or walking by the mountain, the distance of about 3km.

More photos here!

Mês da Arquitectura da Maia // João Álvaro Rocha

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Thursday, 29 March 2018






PT
Vale a pena passar no Fórum da Maia antes do final do mês, para uma visita à exposição que marca a primeira edição do Mês da Arquitectura da Maia.
Dedicada ao arquitecto João Álvaro Rocha, a exposição é composta por esquiços, desenhos técnicos, fotos e maquetes - e, embora, enquanto arquitecta, percorra esta mostra com todo o cuidado e admiração, gosto de pensar que, mesmo quem não partilha deste gosto a nível profissional, é capaz de encontrar aqui motivos para olhar de outro modo para o mundo construído que o rodeia.
Durante o mês houve ainda debates e visitas guiadas, mas, se tal como eu não chegaram a tempo, aproveitem para pelo menos ver a exposição - o traço de João Álvaro Rocha fala por si!

EN
It's worth going to Fórum of Maia before the end of the month for a visit to the exhibition that marks the first edition of the Month of Architecture of Maia.
Dedicated to the architect João Álvaro Rocha, the exhibition is composed of sketches, technical drawings, photos and models - and even though, as an architect, I visit this exhibition with all the care and admiration, I like to think that, even those who don't share this taste on a professional level, are able to find here reasons to look in a different way to the built world that surrounds them.
During the month there were also debates and guided tours, but if you didn't arrive in time, just like me, at least take the opportunity to see the exhibition - the trace of João Álvaro Rocha speaks for itself!

Álvaro Lapa // Serralves

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Monday, 12 February 2018






PT
Álvaro Lapa, em Serralves.
A ver/ler!

EN
Álvaro Lapa, in Serralves.
To see/read!

O Deslumbre de Cecilia Fluss // João Tordo

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Wednesday, 10 January 2018



Se a memória fosse o registo dos factos, não existiria dúvida. Não o é, porque a memória, longe de registar os factos, regista a nossa insatisfação com os factos, a nossa aversão e tristeza perante os factos, a nossa alegria e júbilo em relação aos factos, regista tudo menos os factos, tudo menos aquilo que aconteceu.

João Tordo, O Deslumbre de Cecilia Fluss, p 95

PT
O Deslumbre de Cecilia Fluss não é propriamente um típico livro de João Tordo. Faz parte de uma trilogia - a dos lugares sem nome - e embora tenha sido o primeiro que li, foi o último a ser publicado. A ordem não é importante, uma vez que as histórias se vão cruzando, contadas por diferentes narradores, e de algum modo as surpresas vão sendo reveladas pelo caminho.

Nos livros que li anteriormente do autor, há sempre uma enorme necessidade de narrar uma história - a personagem principal encontra-se tão angustiada, perturbada ou confusa, que reviver ou partilhar o passado acaba por funcionar como uma catarse, uma tentativa de esclarecer o que aconteceu ou o tornar público para auxílio ou fascínio dos demais.

Este Deslumbre é sobretudo uma viagem interior, mais madura e reflexiva, pontuada pela inocência da juventude, pelos ensinamentos do budismo, pela impotência da loucura. O doloroso regresso ao passado continua presente, mas aqui não é atropelado por uma sucessão de acontecimentos, é antes prisioneiro da incerteza e das ratoeiras da memória, podendo servir para explicar o presente ou apenas para o incendiar.

Leiam - por mim, já tenho os outros dois em lista de espera!

EN
O Deslumbre de Cecilia Fluss [The Dazzle of Cecilia Fluss] is not exactly a typical book by João Tordo. It's part of a trilogy - of the nameless places - and although it was the first one I read, it was the last to be published. The order is not important, as the stories intersect, told by different storytellers, and somehow the surprises are revealed along the way.

In the books by this author I read earlier, there is always a great need to tell a story - the main character is so distressed, disturbed or confused, that reliving or sharing the past ends up functioning as a catharsis, an attempt to clarify what happened or to make it public for the help or fascination of others.

This Dazzle is above all an inner journey, more mature and reflective, punctuated by the innocence of youth, by the teachings of Buddhism, by the impotence of madness. The painful return to the past is still present, but here it is not run over by a succession of events, it is rather a prisoner of uncertainty and the mousetraps of memory, which may serve to explain the present or just to set it afire.

Read it - I already have the other two on the waiting list!

Chaves // Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

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Monday, 18 December 2017



PT
Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso foi só mais um pretexto para escolher Chaves como destino para um fim-de-semana prolongado, uma simpática cidade transmontana que ainda não conhecia.

O Museu, projecto de Álvaro Siza, foi inaugurado no Verão do ano passado e estende-se junto ao rio, bem perto do centro. Eleva-se do solo para permitir a passagem e algumas brincadeiras fotográficas entre as enigmáticas lâminas com recortes geométricos ao nível do solo, que, aparentemente aleatórias, parecem trazer para a arquitectura as linhas cinéticas das pinturas de Nadir, num jogo de ângulos, direcções, enfiamentos e sombras.
Os percursos são pensados para se poder admirar o edifício como um todo, ao longo da sua fachada eminentemente horizontal, que se repercute no interior através dos rasgos que permitem acompanhar a paisagem envolvente enquanto admiramos as cidades geométricas de Nadir.
Na pintura de Nadir Afonso reconhecem-se arquitecturas e abstracções, fruto das suas vivências profissionais, das suas viagens, da sua forma de ver o mundo, com ordem e método, mas vastos horizontes.
Vale bem a pena a visita!

Como o centro é pequeno e tudo se visita bem a pé, facilmente se passa um dia a visitar o Museu, o percurso ribeirinho que o liga ao jardim das termas, parando a meio para admirar a ponte romana sobre o Tâmega e subindo depois até ao Castelo pela Rua Direita, que nesta altura é fria, mas vem acompanhada de música de Natal.
Não podem ainda deixar de fazer várias pausas pelo caminho para provar e repetir os famosos pastéis de Chaves que, sem dúvida, aqui sabem muito melhor!

EN
The Nadir Afonso Museum of Contemporary Art was just another excuse to choose Chaves as a destination for a long weekend, a friendly city in the north of Portugal that I didn't know yet.

The Museum, a project by Álvaro Siza, was inaugurated in the summer of last year and extends near the river, very close to the center. It rises from the ground to allow passage and some photographic tricks between the enigmatic walls with geometric cutouts in the ground-level, that may appear to be placed by chance, but seem to bring to the architecture the kinetic lines of Nadir's paintings in a game of angles, directions and shadows.
The paths are designed to be able to admire the building as a whole, along its eminently horizontal façade, which is reflected in the interior through the openings that allow to see the surrounding landscape while admiring the geometric cities of Nadir.
Nadir Afonso's painting is filled with architectures and abstractions, fruit of his professional experiences, his travels, his way of seeing the world, with order and method, but vast horizons.
Well worth the visit!

As the center is small and everything is easily visited on foot, it's easy to spend a day visiting the Museum, the riverside route that connects it to the garden of the thermal spa, stopping to admire the Roman bridge over the Tâmega and then ascending to the Castle by Rua Direita, which at this point is cold, but comes with Christmas music.
One must, of course, make several stops along the way to taste and repeat the famous Pastéis de Chaves (a local delicacy of puff pastry and meat), that, without doubt, tastes a lot better here!

A Boneca de Kokoschka // Afonso Cruz

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Monday, 6 November 2017



- É sempre assim: nunca ouviu dizer que aquilo que procuramos, aquilo que mais desejamos, está sempre à frente dos nossos olhos? Nós só temos de nos afastar quilómetros dolorosos para conseguirmos ver.

Afonso Cruz, A Boneca de Kokoschka, p 134

PT
Este foi, provavelmente, o livro de Afonso Cruz que mais gostei de ler, depois de já ter gostado bastante de ler este e este.
Adoro a forma como temas tão sérios são abordados numa escrita simultaneamente sensível e cheia de sentido de humor, que faz com que até as coisas mais banais adquiram uma beleza fora do comum.

A Boneca de Kokoschka é uma história labiríntica de incríveis personagens, de histórias dentro de histórias, de um livro dentro de um livro, de personagens, tempos e vidas que se cruzam.
Uma visão mais realista do amor não precisa de deixar de ser romântica. Acreditar no destino não precisa de impedir-nos de seguir o nosso caminho. A guerra afasta, mas também pode aproximar as pessoas. Por vezes os pássaros têm mais medo da liberdade do que das gaiolas que os impedem de a viver.

Leiam.

EN
This was probably the book by Portuguese writer Afonso Cruz that I most liked to read, after having already enjoyed reading this and this one.
I love the way themes so serious are approached in a writing that is both sensitive and full of humor, which makes even the most mundane things acquire a beauty out of the ordinary.

A Boneca de Kokoschka [Kokoschka's Doll] is a labyrinthine story of incredible characters, stories within stories, a book within a book, characters, times and lives that intersect.
A more realistic view of love doesn't need to stop been romantic. Believing in destiny doesn't have to prevent us from following our path. War moves away, but it can also bring people closer together. Sometimes birds are more afraid of freedom than of the cages that hold them.

Read it.

Tróia + Carrasqueira

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Monday, 25 September 2017



PT
E para terminar com os posts com sabor a férias, levo-vos agora a atravessar o Sado de ferry, de Setúbal até Tróia, onde descobrimos praias desertas depois de perseguir dunas que pareciam infindáveis, admiramos cegonhas e percorremos os passadiços do Cais Palafítico da Carrasqueira.
Fruto da arquitectura popular é um exemplo de como uma ocupação espontânea e astuciosamente evolutiva nascida da necessidade, se transforma num ponto de atracção turística enquanto continua a cumprir a sua função original - sem dúvida um dos lugares mais bonitos e fotogénicos que visitamos!

EN
And to finish with the holiday-flavored posts, I'll take you now to cross the Sado river by ferry, from Setúbal to Tróia, where we discovered deserted beaches after chasing dunes that seemed endless, admired storks and crossed the footbridges of Carrasqueira Palafitic Pier.
Result of popular architecture it's an example of how a spontaneous and astutely evolutionary occupation born out of necessity becomes a tourist attraction while keeping its original function - undoubtedly one of the most beautiful and photogenic places we visited!

Sesimbra + Palmela

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Friday, 22 September 2017





PT
Setúbal foi a base ideal para, durante as férias, visitar uma série de praias, paisagens e castelos nas regiões próximas. Embora me agrade o conforto de regressar a um sítio onde gosto de estar, prefiro guardar essa reconfortante sensação para quando estou na minha cidade - quando viajo, do que gosto mesmo é de conhecer sítios novos! Desta vez: Sesimbra e Palmela.

EN
Setúbal was the ideal base during vacations to visit a series of beaches, landscapes and castles in the nearby regions. Although I like the comfort of returning to a place where I like to be, I prefer to keep this comforting sensation for when I am in my own city - when I travel, what I really like is to know new places! This time: Sesimbra and Palmela.

Setúbal

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Wednesday, 13 September 2017






PT
As férias de Verão deste ano estavam pensadas para proporcionar descanso à beira-mar e Setúbal foi a base escolhida para passear pela zona do Parque Natural da Arrábida e descobrir uma série de praias de águas paradisíacas - ainda assim um pouco frias, mas maravilhosas!

Na viagem rumo ao sul paramos para visitar o Cabo Espichel, onde os corpos das hospedarias impõem mais respeito do que a própria igreja, numa repetição ritmada de fachadas humildes, mas eficazes na contenção e direccionamento do olhar.

Na cidade, Setúbal concentra grande parte da sua animação ao longo da Avenida Luísa Todi, onde vale a pena provar o famoso choco frito e visitar o Mercado, tomar um moscatel na Casa da Baía e, bem perto, visitar a Casa da Cultura.
Imperdível também, a subida ao Forte de São Filipe e, claro, o passeio pela estrada que corta a Serra da Arrábida, com vistas fantásticas para as praias que se adivinham tão apetitosas lá em baixo.

Mais paragens para breve! 

EN
Summer holidays of this year were designed to provide rest by the sea and Setúbal was the chosen base to stroll through around Nature Park of Arrábida and discover a series of beaches of paradisiacal waters - still a little cold, but wonderful!

On our way south, we stopped to visit Cape Espichel, where the buildings of the inns impose more respect than the church itself, in a rhythmic repetition of humble facades, but effective in restraining and directing the gaze.

In the city, Setúbal concentrates much of its activity along Avenida Luísa Todi, where it's worth to taste the famous fried cuttlefish and visit the Market, taste a Moscatel wine at Casa da Baía and, very near, visit Casa da Cultura.
Also a must to climb to the Fort of São Filipe and, of course, to drive along the road that cuts Serra da Arrábida, with fantastic views to the amazing beaches below.

More stops soon! 

Uma Casa na Escuridão // José Luís Peixoto

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Tuesday, 22 August 2017



Mas, devagar, o tempo transformava tudo em tempo. Essa é a explicação da eternidade. Devagar, o tempo transforma tudo em tempo. O ódio transforma-se em tempo, o amor transforma-se em tempo, a dor transforma-se em tempo. Os assuntos que julgámos mais profundos, mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, transformam-se devagar em tempo. Por si só, o tempo não é nada. A idade de nada é nada. A eternidade não existe e, no entanto, a eternidade existe.

José Luís Peixoto, Uma Casa na Escuridão, p 241

PT
Depois do Livro fiquei com vontade de ler mais José Luís Peixoto, mas confesso que não foi este Uma Casa na Escuridão que preencheu totalmente as expectativas que tinha criado.
Embora tenha muitos momentos maravilhosos e característicos da sensibilidade literária de Peixoto, alguma repetição acabou por cansar-me e tornar a escuridão que se vai adensando ao longo da história cada vez mais negra, talvez demasiado.
O Amor não consegue compensar a espécie de metáfora do fim do mundo que nos espera no final. Saímos derrotados pela morte e vencidos pelo cansaço. Assistimos impotentes a um tempo que se desperdiça entre os dedos, mas parece que nunca mais chega ao fim - irá sem dúvida demorar-se cá dentro.

EN
After Livro I wanted to read more of José Luís Peixoto, but I confess that this A House in Darkness didn't completely fulfilled my expectations.
Even though it has many wonderful moments characteristic of the literary sensibility of Peixoto, some repetition ended up tiring me and making the darkness become more and more black along the way, perhaps too much.
Love isn't able to compensate for the kind of end-of-the-world metaphor that awaits us in the end. We are defeated by death and overcome by fatigue. We watch helplessly for a time that is wasted between the fingers, but seems to never come to an end - it will definitely linger inside.

Bienal de Cerveira

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Wednesday, 9 August 2017



PT
E eu, que depois de tantos anos a pensar no assunto, nunca lá tinha ido, acabei por redimir-me este ano. São imensos os espaços de actividades e exposição, vale bem a pena um looooongo dia de passeio - ou vários.
Desta vez ficou a faltar uma visita à Casa do Artista Jaime Isidoro, mas acho que é sempre bom ficar com pretextos para voltar.
Se estiverem pelo Norte de Portugal, aproveitem também as férias de Verão para uma visita!

EN
And I, who after so many years of thinking about it, had never gone there, finally redeemed myself this year. There are lots of activities and exhibition spaces, it's really worth a looooong day of walking around - or several.
This time I missed the visit to the House of Artist Jaime Isidoro, but I guess it's always good to have excuses to return.
If you happen to be around the North of Portugal, enjoy the summer holidays for a visit too!

Aprender a Rezar na Era da Técnica // Gonçalo M. Tavares

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Monday, 29 May 2017



Alguém com um sentido tenso dos deveres e que conhecia todo o comprimento de uma decisão - percebia bem que qualquer vontade, depois de desencadeada, deve ser aplicada em cada ponto até ao seu final, sem uma única indecisão ou abrandamento. Sabia que não se pode mudar no último momento a direcção do bisturi ou de uma bala, pois é assim que sucedem os erros, as grandes falhas - esse pecado não é apenas técnico, mas também moral, de se atingir por inabilidade, por exemplo, um aliado.
(...) A velocidade mais importante, dizia Frederich Buchmann, não é a da máquina onde estamos sentados mas a das decisões que tomamos. Velocidade que depende exclusivamente do organismo; do sangue que recebes quando nasces e das ideias que recebes quando cresces. É a verdadeira velocidade, dizia Frederich, aquela com que decides. Ao lado disto, a velocidade de um avião é semelhante à de uma carroça.

Gonçalo M. Tavares, Aprender a Rezar na Era da Técnica, p 105

PT
Não vou cansar-vos de novo a repetir que toda a gente devia ler Gonçalo M. Tavares, um dos escritores portugueses mais geniais de sempre e, a depender de mim, o nosso futuro segundo Nobel da Literatura.

Terminei recentemente o terceiro dos quatro livros d'O Reino, uma espécie de colectânea do que de mais humano e negro a humanidade tem. Loucura, guerra, doença... seguimos incrédulos a frieza com que são narradas as situações mais condenáveis, mais aberrantes, mais repugnantes - como se fossem normais. E não são?

EN
I won't tire you by repeating again that everyone should read Gonçalo M. Tavares, one of the most genial Portuguese writers ever and, depending on me, our future second Nobel of Literature.

I have recently finished the third of the four books of The Kingdom, a kind of collection of humanity's most humane and black aspects. Madness, war, disease... we follow in disbelief the coldness with which the most damnable, aberrant, and repugnant situations are narrated - as if they were normal. And aren't they?

Paula Rego, Histórias e Segredos

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Monday, 10 April 2017




Toda a gente esconde coisas, em casa, no trabalho… E eu escondo no que pinto, nos bonecos. Escondo e não escondo, porque quando estou a pintar estou a mostrar, só que não se vê logo. Às vezes só quando se fala é que se vê, não é Lila?

PT
Sobre vida, morte e saudade, sobre aceitação e revolta, amor que é respeito, admiração e traição. Sobre a sociedade que reprime e a arte que liberta. Sobre o que mostramos e o que escondemos, sobre muros, escolhas e desejos, sobre a falta que nos faz quem está sempre presente. Sobre a necessidade de seguirmos o nosso caminho contra todos os monstros e todos os medos.
Vale bem a pena ver Paula Rego, Histórias e Segredos - no Porto passa até Quarta-Feira no Passos Manuel.

EN
About life, death and longing, about acceptance and revolt, love that is respect, admiration and betrayal. About the society that represses and the art that liberates. About what we show and what we hide, about walls, choices and desires, about how we miss who is always present. About the need to follow our path against all monsters and all fears.
Well worth seeing Paula Rego, Secrets & Stories - in Porto until Wednesday at Passos Manuel.

Quinta do Vallado

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Monday, 20 March 2017



PT
Começo a semana com um regresso à Quinta do Vallado, para uma experiência que irá certamente agradar aos amantes do vinho, da arquitectura, ou, melhor ainda, se forem como eu: das duas coisas!

A Quinta do Vallado, construída em 1716, é uma das Quintas mais antigas do Vale do Douro e mantém-se ainda hoje na família da famosa Ferreirinha. Situa-se nas margens do Rio Corgo, um afluente do Rio Douro, muito perto do Peso da Régua.

A ampliação do Hotel e Adega da Quinta do Vallado, desenvolvida entre 2007 e 2010 pelo arquitecto Francisco Vieira de Campos (Menos é Mais), demonstra como uma intervenção atenta ao detalhe e às características particulares do terreno consegue responder eficaz e harmoniosamente a necessidades logísticas e de integração na paisagem. Na adega, as fases de produção do vinho sucedem-se por gravidade, desde as vinhas em socalcos no topo até à cave de barricas, que as alberga como uma grande e gulosa barriga de betão. O volume ora se encosta ora se suspende, afirma-se com arestas serpenteantes, mas faz parte do terreno com a mesma naturalidade das linhas horizontais que desenham as curvas de nível, cuidada integração acentuada pelo uso do xisto, pedra característica da região e tão expressiva em texturas e cores.

Não percam a oportunidade de relaxar enquanto admiram cada detalhe e, claro, de provar o vinho!

EN
I start the week with a return to Quinta do Vallado, for an experience that will surely please wine lovers, architecture lovers, or, better still, if you're like me: lovers of both!

Quinta do Vallado, built in 1716, is one of the oldest estates in the Douro Valley and still remains in the family of the famous Ferreirinha. It's located on the banks of River Corgo, a tributary of Douro River, very close to Peso da Régua.

The extension of the Hotel and Winery of Quinta do Vallado, developed between 2007 and 2010 by architect Francisco Vieira de Campos (Menos é Mais), demonstrates how an intervention careful to detail and the particular characteristics of the land is able to answer effectively to logistical needs and to the harmonious integration in the landscape. In the winery, the stages of wine production succeed by gravity, from the vineyards in terraces on top to the cellar, that houses the wine barrels as a large and greedy belly of concrete. The volume either leans or hangs, but is part of the terrain with the same naturalness of the horizontal lines that draw contour lines, integration that is accentuated by the use of shale, a characteristic stone of the region that is so expressive in textures and colors.

Don't miss the opportunity to relax while admiring every detail and, of course, to taste the wine!

Lisboa | MAAT

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Tuesday, 31 January 2017

Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. MAAT 11. Central Tejo 12. O Mundo de Charles e Ray Eames [+]

PT
E desde que o MAAT foi inaugurado em Outubro que não há viagem a Lisboa que não passe por lá.
Esta não foi excepção e eram muitas as pessoas que, como nós, passeavam e paravam para admirar as belas curvas da fachada do aerodinâmico edifício contra as cores do Tejo.
No interior do edifício projectado por Amanda Levete Architects apenas a galeria oval estava aberta, mas depois de ver o pôr-do-sol nos degraus enquadrados pelo padrão de azulejos que parecem querer rivalizar com o brilho espelhado do nosso Terminal de Cruzeiros, ainda valeu a pena ficar a conhecer a Central Tejo e a exposição sobre o duo maravilha Charles e Ray Eames.

Mais sobre a ida a Lisboa aqui.

EN
And since MAAT was inaugurated in October there is no trip to Lisbon that misses a stop here.
This was no exception and there were many people who, like us, strolled and stopped to admire the beautiful curves of the facade of the aerodynamic building against the colors of Tagus river.
Inside the building designed by Amanda Levete Architects only the oval gallery was open, but after seeing the sunset on the steps framed by the pattern of tiles that seem to rival the mirrored glow of our Cruise Terminal, it was still worth the visit to Central Tejo and the exhibition about the wonder duo Charles and Ray Eames.

More about the trip to Lisbon here.

Lisboa

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Wednesday, 18 January 2017

Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16
Lisboa 11'16Lisboa 11'16
Lisboa 11'16

Lisboa 11'16

Lisboa 11'16
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Terraços do Carmo / Elevador de Santa Justa  8. Miradouro de São Pedro de Alcântara 9. 10. 11. 12. 13. Arco da Rua Augusta 14. Chiado [+]

PT
A última ida a Lisboa foi já no início de Novembro passado. Desde aí uma lista de tarefas sem fim, eventos, festas e celebrações tem-se sobreposto à vontade de partilhar finalmente as fotos da viagem!

Foi uma viagem em trabalho, mas quando gostamos do que fazemos as viagens de trabalho são também um prazer.
O pretexto inicial da visita foi a intervenção na loja re_mind, um espaço muito simpático na Lx Factory onde podem ver ao vivo uma selecção do meu trabalho de joalharia, mas um ou dois dias passaram a quatro e daí até se tornar numa espécie de visita de estudo para conhecer sítios novos e inspiradores foi um passo!
Começando pela própria LX Factory, carregada de cafés e lojas que valem a pena a visita, passando por zonas que ainda não conhecia, como o Príncipe Real, o Miradouro de São Pedro de Alcântara e a marginal até à Fundação Champalimaud, até chegar a outras de passagem obrigatória, mas agora com novos motivos para uma paragem: os Terraços do Carmo (a intervenção de Siza que vem finalmente terminar o que foi começado com a reabilitação do Chiado) ou o Arco da Rua Augusta, que agora pude subir.

Foi também altura de finalmente visitar galerias e espaços de trabalho fantásticos dedicados à joalharia: o atelier da querida Tânia Gil, o do Valentim Quaresma, as Galerias Reverso e Tereza Seabra, a Padaria 24... reencontrar amigos e colegas, como o Carlos Silva (obrigada pela visita guiada!) ou a minha querida Joana Mota Capitão - e ainda ficar a conhecer a Sandra do Colectivo 71.86.

Mas nem só a joalharia me inspira, por isso reservei ainda tempo para a minha paixão arquitectónica: espreitar as curvas do MAAT, visitar o Museu dos Coches e o Atelier-Museu Júlio Pomar... mas sobre estes três espaços falarei mais tarde!
Por hoje: algumas fotos das cores do céu de Lisboa e um passeio pelo Chiado.

EN
The last trip to Lisbon was already in early November. Since then a list of endless tasks, events, parties and celebrations has prevented me to finally share the photos of the trip!

The mainly reason for the trip was work, but when we enjoy what we do, work trips are also a pleasure.
The initial pretext of the visit was the intervention in the store re_mind, a very nice space in Lx Factory where you can see a selection of my jewelry live, but one or two days turned to four and from there until it became a kind of study visit to get to know new and inspiring places was a step!
Beginning with LX Factory itself, full of cafes and shops that are worth the visit, passing through areas that I didn't know very well, such as Príncipe Real, Miradouro de São Pedro de Alcântara and the riverside until reaching Champalimaud Foundation, and other mandatory and well-known places, but now with new reasons for a stop: Terraços do Carmo (the intervention of Siza that finally concludes the project of rehabilitation of Chiado) or the Arco da Rua Augusta, that now I could climb to the top.

It was also time to finally visit galleries and fantastic workspaces dedicated to jewelry: the studio of dear Tânia Gil, of Valentim Quaresma, Galleries Reverso and Tereza Seabra, Padaria 24... to be with some friends and colleagues, like Carlos Silva (thank you for the guided tour!) or my dear Joana Mota Capitão - and even meeting Sandra from Colectivo 71.86.

But not only the jewelry inspires me, so I still reserved some time for my architectural passion: admiring the curves of MAAT, visiting Museu dos Coches and Atelier-Museu Júlio Pomar... but I'll show you more about these three spaces later!
For today: some photos of the sky colors of Lisbon and a walk through Chiado.

Ana Pina | blog

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