Boas Festas // Happy Holidays!

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Monday, 24 December 2018



PT
Mais um ano está a chegar ao fim!
2018 foi um ano que culminou numa grande mudança: o atelier desceu do segundo andar do número 27 da Rua de Cedofeita e encontrou um novo espaço mais próximo do público, no Centro Comercial Bombarda, loja 25.
Inevitável que os desejos de Ano Novo se concentrem no Tincal lab e na vontade de fazer esta comunidade crescer, com mais público, mais encontros, exposições e workshops.

Na minha marca Ana Pina, ao longo de 2018, lancei novas colecções, respondi a entrevistas, levei a Gula à Casa da Arquitectura e fui seleccionada para a iniciativa Portuguese Jewellery x MAAT.

Mas nem só de trabalho é feito o ano: em 2018 fiquei a conhecer Berlim e Piódão, fiz 38 anos na companhia de uma incrível banda sonora, vi exposições e filmes, li novos livros. E para além das grandes e necessárias concretizações, aquilo que mais me interessa celebrar são essas pequenas coisas que fazem a vida de todos os dias valer a pena.

Tenho pensado muito acerca da continuidade deste blog... tem sido a minha forma de promover o meu trabalho e registar aquilo que me inspira há quase 10 anos, mas com a evolução das redes sociais e as maiores exigências profissionais, as publicações e visitas a este cantinho têm sido cada vez menos, por isso, em vez de o deixar esmorecer vou fazer uma pausa e deixar-vos com um até já.

Boas Festas para todos!

EN
Another year is coming to an end!
2018 was a year that culminated in a great change: the atelier came down from the second floor of number 27 of Rua de Cedofeita and found a new space closer to the public, in Centro Comercial Bombarda, shop 25.
It is inevitable that New Year's wishes will focus on Tincal lab and the desire to make this community grow, with more public, more meetings, exhibitions and workshops.

On my brand Ana Pina  throughout 2018, I launched new collections, answered interviews, took Gula to Casa da Arquitectura and was selected for the initiative Portuguese Jewellery x MAAT.

But not only work makes the year: in 2018 I got to know Berlin and Piódão, I turned 38 in the company of an incredible soundtrack, I saw exhibitions and films, I read new books. And beyond the big and necessary accomplishments, what I'm most interested in celebrating are these little things that make everyday life worthwhile.

I have been thinking a lot about the continuity of this blog... it has been a way of promoting my work and recording what inspires me for almost 10 years, but with the evolution of social networks and the greater professional demands, the posts and visits to this little corner have been less and less, so instead of letting it fade I'll take a break and leave you for now with a see you soon.

Happy Holidays to everyone!

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Sunday, 17 June 2018



PT
Chegou outra vez aquele dia do ano... coloco mais uma vela no bolo e somo mais um número à idade! Falamos em mais um ano, mas no fundo só mais um dia passou - resta-nos tornar este um pouco mais especial do que os outros.
Este blog já viu passar vários anos... 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37... e agora 38.
Este ano vou deixar-vos com uma lista de 38 álbuns que por um motivo ou por outro foram importantes para mim ou continuo a ouvir regularmente - está por ordem alfabética, para não ter que escolher preferências.
Estou constantemente a ouvir música, por isso a escolha não foi fácil! Certamente faltarão alguns nomes imperdoáveis, alguns são mais recentes e se calhar até deixarei de ouvir dentro de anos, outros são best of ou álbuns ao vivo, por não conseguir reduzir a banda a um álbum apenas... mas de qualquer modo, todos fazem parte da minha banda sonora. Ouçam de novo se já gostam e descubram aqueles que ainda não conhecem - espero que gostem!

EN
That day of the year is here again... I place one more candle on the cake and add another number to the age! We talk about another year, but it's just another day that's passed - we just should make this one a little more special than the others.
This blog has already seen several years go by... 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37... and now 38.
This year I will leave you with a list of 38 albums that for one reason or another were important to me or I keep on listening regularly - it's in alphabetical order, so I don't have to choose preferences.
I'm constantly listening to music, so the choice wasn't easy! It's certainly missing some unforgivable names, some are more recent and maybe I'll stop listening in years, others are best of or live albums, because I wasn't able in any way to reduce the band to an album only... but anyway, they are all part of my soundtrack. Listen again if you like them and discover those you don't know yet - hope you like it!

1. I Am A Bird Now, Antony and the Johnsons
2. Funeral, Arcade Fire
3. Favourite Worst Nightmare, Arctic Monkeys
4. Homogenic, Bjork
5. 9, Damien Rice
6. Nothing Has Changed, The Best Of David Bowie
7. The Singles 86-98, Depeche Mode
8. The Ideal Crash, dEUS
9. Live in Paris, Diana Krall
10. The Soft Parade, The Doors
11. The Reminder, Feist
12. A Funk Odyssey, Jamiroquai
13. The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known, Jay-Jay Johanson
14. Grace, Jeff Buckley
15. Ash and Ice, The Kills
16. Silent Shout, The Knife
17. Things To Make And Do, Moloko
18. You Are The Quarry, Morrissey
19. Absolution, Muse
20. The World Of Nat King Cole
21. Let Love In, Nick Cave
22. O Monstro Precisa De Amigos, Ornatos Violeta
23. Vs., Pearl Jam
24. Stories From The City, Stories From The Sea, PJ Harvey
25. Without You I'm Nothing, Placebo
26. Hits, Pulp
27. The Platinum Collection, Queen
28. Ok Computer, Radiohead
29. Melody A.M., Royksopp
30. Scissor Sisters, Scissor Sisters
31. Politics, Sébastien Tellier
32. Noites Passadas, Sérgio Godinho
33. Samba Esporte Fino, Seu Jorge
34. Superunknown, Soundgarden
35. Comedown Machine, The Strokes
36. Under The Pink, Tori Amos
37. Last Night All My Dreams Came True, Wild Beasts
38. It's Blitz!, Yeah Yeah Yeahs

A Criança no Tempo // Ian McEwan

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Monday, 26 March 2018



Mais tarde, nos meses e anos dolorosos, Stephen esforçar-se-ia por reentrar nesse momento, abrir caminho para trás através das pregas entre acontecimentos, enfiar-se entre os lençóis e inverter a sua decisão. Mas o tempo - não necessariamente como é, porque sabe lá alguém como ele é, mas como o pensamento o constituiu - proíbe monomaniacamente segundas oportunidades. Não existe nenhum tempo absoluto, dissera-lhe em certas ocasiões a sua amiga Thelma, nenhuma entidade independente. Só o nosso entendimento particular e fraco.

Ian McEwan, A Criança no Tempo, p 15

PT
Nunca tinha pensado em ler Ian McEwan, mas quando recentemente me apercebi que é o autor de Expiação - um filme que gostei bastante de ver - fiquei com curiosidade de pegar neste A Criança no Tempo que estava lá em casa, entre os livros da colecção Mil Folhas.

Contado do ponto de vista de um pai que passa por um dos maiores imagináveis pesadelos - perder a filha de três anos no supermercado - é um livro de escrita segura, capaz de momentos comoventes e de um revigorante sentido de humor. O livro não tem uma narrativa linear, o que a torna ainda mais interessante, mas recua e avança no tempo para nos dar um retrato da vida da personagem e de alguns momentos importantes que inevitavelmente a memória recupera no presente - essa memória que tanto contribui para o que somos hoje.
A vida interior da personagem é expressa através de uma grande tensão emocional, que varia entre a inércia da incredulidade e o desespero da loucura e em que a cena do desaparecimento é vivida de forma extremamente rica e realista.

Para pensar sobre a infância, sobre o crescimento até à maturidade, sobre a forma como o tempo se faz sentir, pleno de surpresas e revelações, de dificuldades e desafios, de evoluções e recomeços.

EN
I had never thought about reading Ian McEwan, but when I recently realized that he is the author of Atonement - a film I liked a lot to watch - I was curious enough to pick up this The Child in Time that I already had at home.

Told from the point of view of a father who goes through one of the biggest imaginable nightmares - losing his three year old daughter in the supermarket - is a book with a secure writing, capable of touching moments and an invigorating sense of humor. The book doesn't have a linear narrative, which makes it even more interesting, but it goes back and forth in time to give us a picture of the character's life and some important moments that memory inevitably recovers in the present - that memory that contributes so much to what we are today.
The inner life of the character is expressed through great emotional tension, which varies between the inertia of unbelief and the despair of madness and where the scene of the disappearance is experienced in an extremely rich and realistic way.

To think about childhood, about growth until maturity, about how time is felt, full of surprises and revelations, of difficulties and challenges, of evolutions and beginnings.

O Deslumbre de Cecilia Fluss // João Tordo

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Wednesday, 10 January 2018



Se a memória fosse o registo dos factos, não existiria dúvida. Não o é, porque a memória, longe de registar os factos, regista a nossa insatisfação com os factos, a nossa aversão e tristeza perante os factos, a nossa alegria e júbilo em relação aos factos, regista tudo menos os factos, tudo menos aquilo que aconteceu.

João Tordo, O Deslumbre de Cecilia Fluss, p 95

PT
O Deslumbre de Cecilia Fluss não é propriamente um típico livro de João Tordo. Faz parte de uma trilogia - a dos lugares sem nome - e embora tenha sido o primeiro que li, foi o último a ser publicado. A ordem não é importante, uma vez que as histórias se vão cruzando, contadas por diferentes narradores, e de algum modo as surpresas vão sendo reveladas pelo caminho.

Nos livros que li anteriormente do autor, há sempre uma enorme necessidade de narrar uma história - a personagem principal encontra-se tão angustiada, perturbada ou confusa, que reviver ou partilhar o passado acaba por funcionar como uma catarse, uma tentativa de esclarecer o que aconteceu ou o tornar público para auxílio ou fascínio dos demais.

Este Deslumbre é sobretudo uma viagem interior, mais madura e reflexiva, pontuada pela inocência da juventude, pelos ensinamentos do budismo, pela impotência da loucura. O doloroso regresso ao passado continua presente, mas aqui não é atropelado por uma sucessão de acontecimentos, é antes prisioneiro da incerteza e das ratoeiras da memória, podendo servir para explicar o presente ou apenas para o incendiar.

Leiam - por mim, já tenho os outros dois em lista de espera!

EN
O Deslumbre de Cecilia Fluss [The Dazzle of Cecilia Fluss] is not exactly a typical book by João Tordo. It's part of a trilogy - of the nameless places - and although it was the first one I read, it was the last to be published. The order is not important, as the stories intersect, told by different storytellers, and somehow the surprises are revealed along the way.

In the books by this author I read earlier, there is always a great need to tell a story - the main character is so distressed, disturbed or confused, that reliving or sharing the past ends up functioning as a catharsis, an attempt to clarify what happened or to make it public for the help or fascination of others.

This Dazzle is above all an inner journey, more mature and reflective, punctuated by the innocence of youth, by the teachings of Buddhism, by the impotence of madness. The painful return to the past is still present, but here it is not run over by a succession of events, it is rather a prisoner of uncertainty and the mousetraps of memory, which may serve to explain the present or just to set it afire.

Read it - I already have the other two on the waiting list!

2018

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Monday, 1 January 2018


#2017bestnine

PT
Quem me acompanha aqui neste cantinho virtual poderá não ter essa percepção, mas quem convive comigo mais de perto sabe que este foi um ano de grandes mudanças - daquelas que, embora afectem toda uma vida, acabaram por desenrolar-se com a maior naturalidade possível, minimizando estragos e possíveis rancores, permitindo guardar as boas recordações num lugar seguro.

As mudanças obrigam-nos sempre a alguma ginástica e talvez por isso, ou porque com a idade o tempo se torna cada vez mais relativo, parece que o ano passou a voar! Ainda ontem reflectia sobre o fim de 2016 e agora cá estamos, a dizer olá a 2018.

Em 2017 visitei o frio de Chaves e o calor das praias do Parque Natural da Arrábida. Provei o vinho do Douro na Quinta do Vallado.
Li alguns livros, muitos de autores portugueses; vi o Jay-Jay ao vivo, admirei a obra de Alberto Carneiro e da Bienal de Cerveira, pela primeira vez; entrei também pela primeira vez em alguns edifícios da minha cidade, graças à Open House; descobri séries sobre psicopatas.

No Tincal lab houve workshops e um novo Desafio (ainda podem visitar a exposição, não percam!).
Celebrei os 2 anos do atelier no dia do meu próprio aniversário.
Estive na Porto Jóia e falei sobre mim - em vídeo, ao vivo e por escrito.
Viajei até terras do Drácula, onde participei numa fantástica feira de joalharia internacional em Bucareste: a Autor. Pelo caminho ainda parei em Milão.
Lancei as colecções Tubular e Orla, levei a joalharia Ana Pina para novos pontos de venda.

Mas com um fim - de um ano, de um ciclo - vem também um novo começo, com todas as maravilhosas descobertas e desafios que os novos começos nos oferecem. Se nos limitássemos ao conforto do que temos, tantas vezes difícil de distinguir da acomodação, talvez não fizéssemos desta a mais entusiasmante das viagens. Talvez seja esse o meu maior desejo para 2018: não me acomodar, querer deitar-me cansada depois de um dia cheio, insistir em fazer coisas pela primeira vez, continuar com vontade de fazer planos para o dia seguinte - para o ano seguinte, para o projecto seguinte, para a viagem seguinte (agora contigo).

Bom Ano Novo!



EN

Those who follow me here in this virtual corner may not have this perception, but those who live with me more closely know that this was a year of great changes - those that, although affecting a whole life, eventually unfolded as naturally as possible, minimizing damage and possible grudges, allowing to keep the good memories in a safe place.

Changes always force us to some gymnastics and maybe because of that, or because with age time becomes more and more relative, it seems that the year flew! Still yesterday I reflected on the end of 2016 and now here we are, waiving hello to 2018.

In 2017 I visited cold Chaves and the hot beaches of Parque Natural da Arrábida. I tasted the wine of Douro at Quinta do Vallado.
I read some books, many by Portuguese authors; saw Jay-Jay live, admired the art by Alberto Carneiro and Bienal de Cerveira, for the first time; visited, also for the first time, some buildings of my city, thanks to Open House; I discovered new series about psychopaths.

At Tincal lab we had workshops and a new Challenge (you can still visit the exhibition, don't miss it!).
I celebrated the second anniversary of the atelier on the day of my own birthday.
I was at Porto Jóia and talked about me - on vídeo, live and in writing.
I traveled to Romania, where I took part in an amazing international jewelry fair in Bucharest: Autor. On the way I even made a stop in Milan.
I launched the collections Tubular and Orla, took Ana Pina jewelry to new stockists.

But with an end - of a year, of a cycle - comes a new beginning, with all the wonderful discoveries and challenges that new beginnings can offer us. If we confine ourselves to the comfort of what we have, so often difficult to distinguish from conformation, we might not make this the most exciting of journeys. Maybe this is my biggest wish for 2018: to not settle down, to want to lie down tired after a full day, insist on doing things for the first time, continue to feel like making plans for the next day - for the next year, for the next project, for the next trip (now with you).



Happy New Year!

Boas Festas // Happy Holidays!

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Sunday, 24 December 2017



PT
Esta semana entre o Natal e o Ano Novo servirá por aqui para uma pausa que permita o regresso ao trabalho com energia a 2 de Janeiro.
Até lá, desejo que preencham a vossa mesa com rabanadas em boa companhia, a vossa árvore de Natal com boas surpresas e as doze últimas badaladas de 2017 com uma lista de desejos bem optimistas a realizar no novo ano... Boas Festas!

EN
This week between Christmas and New Year will serve around here for a break that will allow a fresh return to work on January 2nd.
Until then, I wish you to fill your table with lots of season's sweets in good company, your Christmas tree with good surprises and the last twelve bells of 2017 with a list of optimistic wishes to be accomplished over the new year... Happy Holidays!

A Boneca de Kokoschka // Afonso Cruz

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Monday, 6 November 2017



- É sempre assim: nunca ouviu dizer que aquilo que procuramos, aquilo que mais desejamos, está sempre à frente dos nossos olhos? Nós só temos de nos afastar quilómetros dolorosos para conseguirmos ver.

Afonso Cruz, A Boneca de Kokoschka, p 134

PT
Este foi, provavelmente, o livro de Afonso Cruz que mais gostei de ler, depois de já ter gostado bastante de ler este e este.
Adoro a forma como temas tão sérios são abordados numa escrita simultaneamente sensível e cheia de sentido de humor, que faz com que até as coisas mais banais adquiram uma beleza fora do comum.

A Boneca de Kokoschka é uma história labiríntica de incríveis personagens, de histórias dentro de histórias, de um livro dentro de um livro, de personagens, tempos e vidas que se cruzam.
Uma visão mais realista do amor não precisa de deixar de ser romântica. Acreditar no destino não precisa de impedir-nos de seguir o nosso caminho. A guerra afasta, mas também pode aproximar as pessoas. Por vezes os pássaros têm mais medo da liberdade do que das gaiolas que os impedem de a viver.

Leiam.

EN
This was probably the book by Portuguese writer Afonso Cruz that I most liked to read, after having already enjoyed reading this and this one.
I love the way themes so serious are approached in a writing that is both sensitive and full of humor, which makes even the most mundane things acquire a beauty out of the ordinary.

A Boneca de Kokoschka [Kokoschka's Doll] is a labyrinthine story of incredible characters, stories within stories, a book within a book, characters, times and lives that intersect.
A more realistic view of love doesn't need to stop been romantic. Believing in destiny doesn't have to prevent us from following our path. War moves away, but it can also bring people closer together. Sometimes birds are more afraid of freedom than of the cages that hold them.

Read it.

Aprender a Rezar na Era da Técnica // Gonçalo M. Tavares

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Monday, 29 May 2017



Alguém com um sentido tenso dos deveres e que conhecia todo o comprimento de uma decisão - percebia bem que qualquer vontade, depois de desencadeada, deve ser aplicada em cada ponto até ao seu final, sem uma única indecisão ou abrandamento. Sabia que não se pode mudar no último momento a direcção do bisturi ou de uma bala, pois é assim que sucedem os erros, as grandes falhas - esse pecado não é apenas técnico, mas também moral, de se atingir por inabilidade, por exemplo, um aliado.
(...) A velocidade mais importante, dizia Frederich Buchmann, não é a da máquina onde estamos sentados mas a das decisões que tomamos. Velocidade que depende exclusivamente do organismo; do sangue que recebes quando nasces e das ideias que recebes quando cresces. É a verdadeira velocidade, dizia Frederich, aquela com que decides. Ao lado disto, a velocidade de um avião é semelhante à de uma carroça.

Gonçalo M. Tavares, Aprender a Rezar na Era da Técnica, p 105

PT
Não vou cansar-vos de novo a repetir que toda a gente devia ler Gonçalo M. Tavares, um dos escritores portugueses mais geniais de sempre e, a depender de mim, o nosso futuro segundo Nobel da Literatura.

Terminei recentemente o terceiro dos quatro livros d'O Reino, uma espécie de colectânea do que de mais humano e negro a humanidade tem. Loucura, guerra, doença... seguimos incrédulos a frieza com que são narradas as situações mais condenáveis, mais aberrantes, mais repugnantes - como se fossem normais. E não são?

EN
I won't tire you by repeating again that everyone should read Gonçalo M. Tavares, one of the most genial Portuguese writers ever and, depending on me, our future second Nobel of Literature.

I have recently finished the third of the four books of The Kingdom, a kind of collection of humanity's most humane and black aspects. Madness, war, disease... we follow in disbelief the coldness with which the most damnable, aberrant, and repugnant situations are narrated - as if they were normal. And aren't they?

Arrival

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Tuesday, 7 February 2017




If you could see your whole life from start to finish, would you change things?
Louise Banks, Arrival

PT
Sim, podemos passar praticamente todo o filme Arrival a imaginar a possibilidade da chegada à terra de vida extraterrestre, a avaliar qual seria o propósito e o resultado de um contacto, a admirar a importância da linguagem, as falhas que existem no modo como comunicamos e as suas terríveis consequências, a admitir que juntos somos mais fortes e que a visão global do mundo está mais do que nunca a precisar de uma revisão, a apreciar a imagem impecável, o admirável trabalho dos actores e a beleza da banda sonora... mas o que ficou, para mim, mais gravado na memória foram os últimos 10 minutos: aqueles em que percebemos que a vida vale a pena ser vivida se no momento em que olharmos para trás soubermos que não teríamos feito nada diferente - e o melhor é começar já e não deixar que as amarras do tempo (passado, presente, futuro) nos prendam.

EN
Yes, we can spend practically the entire film Arrival imagining the possibility of extraterrestrial life coming to earth, assessing the purpose and outcome of a contact, admiring the importance of language, the flaws that exist in the way we communicate and its terrible consequences, admitting that together we're stronger and that the global vision of the world is more than ever in need of a review, appreciating the flawless image, admirable performance of the actors and the beautiful soundtrack... but what lingers stronger in the memory, for me, are the last 10 minutes: those in which we realize that life is worth living if by the time we look back we know that we wouldn't have done anything different - and the best is to start now, not letting the chains of time (past, present, future) bind us.

2017

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Sunday, 1 January 2017



PT
Desde que "optei" pela vida de freelancer que ganhei uma maior consciência de que nada pode ser dado como adquirido. Por muito que some sucessos, cada dia parece um recomeço e não são raros os momentos de pânico em que dou por mim a pensar que é uma loucura não escolher o caminho mais "fácil". Mas se calhar não existe um caminho fácil - ou talvez simplesmente sermos quem somos não seja uma escolha.

Uma vez li uma entrevista em que o João Tordo dizia que sempre tinha tido dificuldade em lidar com situações de exposição pública e a forma de aprender a ultrapassar isso não passou pelo hábito, mas sim pela tomada de consciência de que a alternativa não era uma opção. Parar não é opção, recusar ou fugir não é opção, conformar-se não é opção - e é esta forma de colocar as coisas em perspectiva que me faz encarar um novo dia com mais calma e a certeza de que ninguém pode vivê-lo por mim. E o que é o pior que pode acontecer? Na maior parte das vezes, se respondermos conscientemente a esta pergunta, vemos que no fundo não precisamos de ter tanto medo quanto julgávamos.

Não sei até que ponto escolhemos aquilo que nos acontece na vida. Não acredito que é o destino que escolhe por nós, mas há muitas decisões que nos sentimos obrigados a tomar mesmo sem querermos, seja pela circunstância, por influência da nossa educação, de pressões exteriores e interiores, por medo. Há demasiadas coisas que não conseguimos controlar - seja uma guerra ou um terramoto - e coisas que temos apenas a ilusão de que conseguimos controlar - a viagem que planeamos ao pormenor ou a aparente segurança do emprego de sempre - por isso resta-nos fazer um esforço para não deixarmos que seja a "vida" a decidir por nós todo o resto.

Esta composição de #2016bestnine que reúne as "melhores" 9 fotos do meu instagram (não, são só aquelas com mais likes) é, como todas as generalizações, talvez um pouco superficial e enganadora, mas não deixa de reunir algumas das coisas de que mais gosto e que espero continuar a multiplicar ao longo do ano que agora começou: viver a minha cidade e descobrir outras, a admiração pela arquitectura, pela arte e pela paisagem, ver o meu trabalho crescer e partilhar essas alegrias com aqueles que são especiais na minha vida - Frida incluída.

Um bom 2017 para todos!

EN
Since I "opted" for freelance life I've gained a greater awareness that nothing can be taken for granted. For as many successes I may have, every day seems like a fresh start, and the moments of panic in which I think it's crazy not to choose the "easy" way are not uncommon. But maybe there is no easy way - or maybe just being who we are is not a choice.

Once I read an interview in which João Tordo said that he always had difficulty dealing with situations of public exposure and a way of learning to overcome it was not a matter of habit but an awareness that an alternative was not an option. To stop is not an option, to refuse or to escape is not an option, to conform is not an option - and it's this way of putting things into perspective that makes me face a new day with more calm and the certainty that no one can live it for me. And what is the worst that can happen? Most of the time, if you answer this question honestly, you see that there's no need to be as afraid as you thought.

I don't know if we really choose what happens to us in life. I don't believe that it's destiny that chooses for us, but there are many decisions that we feel obliged to take even if we don't want to, through the influence of context, our education, external and internal pressures, or fear. There are too many things that we can't control - a war or an earthquake - and things that we only think we can control - a trip planned to the detail or the apparent security of a job of a lifetime - so maybe we should try to make an effort to decide the rest for ourselves.

This image of #2016bestnine that brings together the "best" 9 photos of my instagram (well, not the best, but the ones with more likes), like every generalization, may be a bit shallow and misleading, but it does not fail to gather some of the things that I most enjoy and that I hope to continue to multiply throughout the new year that have just began: living my city and discovering others, the admiration for architecture, art and landscape, seeing my work grow and sharing these joys with those who are special in my life - Frida included.

A happy 2017 for everyone!

Happy Holidays!

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Saturday, 24 December 2016



PT
E depois de todo o trabalho de um ano acumulado, de todos os possíveis sonhos cumpridos, de todos os presentes comprados... chegou aquela altura do ano de desejar a todos um muito feliz Natal!

A próxima semana será de transição: o trabalho no atelier fará uma pausa, mas na cabeça já se multiplicam ideias para novos projectos em 2017. Estarei de volta ao Tincal lab em horário normal no dia 2 de Janeiro.

Até lá, é altura de comer pão-de-ló, fazer aletria e rabanadas, ouvir músicas com sininhos, imaginar neve a cair do outro lado da janela, partilhar a mesa cheia com aqueles que nos são mais próximos, e (que remédio) dedicar uma mensagem de saudade àqueles que só não estão mais próximos porque a distância física ou o passar do tempo o determinam.

Festas felizes e boas entradas em 2017!

EN
And after all the accumulated work of a year, of all the possible dreams fulfilled, of all the gifts bought... it's that time of year to wish everyone a merry Christmas!

Next week will be transitional: the atelier will close for a break but in the head I'm already multiplying ideas for new projects in 2017. I'll be back to Tincal lab on January 2nd.

Until then, it's time to eat pão-de-ló, make aletria and rabanadas, listen to songs with bells, imagine snow falling on the other side of the window, share the table with the ones close to our hearts and to dedicate a message of longing to those who can't be closer either because physical distance or the passage of time determines it.

Happy holidays and a promising 2017!

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Friday, 17 June 2016



PT
Engraçado como o tempo passa... tão depressa para umas coisas e tão devagar para outras.
Voltei atrás no tempo e revi cada um dos posts de aniversário que já escrevi neste blog: 31, 32, 33, 34, 35. Já escrevo aqui há tanto tempo?! Engraçado rever o que escrevi e ver como algumas dessas coisas entretanto mudaram... sim, entretanto já vi todos os filmes da Guerra das Estrelas, já visitei o H. na Suiça e agora afinal tenho um iphone.
Ainda assim penso que o mais importante continua igual: somar mais uma vela ao bolo neste dia e ter-vos desse lado para me dar os parabéns, obrigada!

Vou tentar não me repetir e partilhar mais 36 curiosidades sobre mim :)

1. Gostava de ter um Mini vermelho.
2. Se tivesse espaço e dinheiro de sobra coleccionava almofarizes.
3. Nunca gostei de fazer maquetes.
4. A minha professora primária achava que eu não tinha jeito para trabalhos manuais (!).
5. A minha professora de Português do Secundário achava que eu ia para Letras.
6. Não gosto particularmente de surpresas.
7. Não planeio ter filhos, mas se tivesse uma filha chamava-lhe Constança.
8. Comecei a beber café sem açúcar e afinal não é assim tão mau.
9. Não gosto de ver guardanapos dobrados em triângulo.
10. Gosto muito de francesinhas, mas quando comi pela primeira vez achei horrível.
11. Dizem-me que nasci por volta das 2h30 da manhã.
12. Não gosto de manhãs.
13. Tenho quase sempre os pés frios.
14. Gosto mais de coentros do que de salsa.
15. Quando era pequena o meu peluche preferido era uma pantera cor-de-rosa.
16. Saio mais ao meu pai do que à minha mãe.
17. Faltam-me pestanas de baixo no olho esquerdo.
18. Roí as unhas durante muitos anos.
19. Não gosto de amêndoas, mas adoro bolo de amêndoa.
20. Usei aparelho nos dentes quando tinha 12 anos.
21. Sou muito menos calma do que pareço.
22. A primeira vez que andei de avião foi para visitar S. Miguel, Açores, quando tinha 15 anos.
23. Raramente cozinho de avental.
24. Se eu rir de uma anedota, acreditem, é porque tem piada.
25. O meu super-herói favorito é o Batman.
26. Tenho dois livros autografados pelo Gonçalo M. Tavares.
27. Gosto de dançar músicas dos anos 80.
28. Ainda continuo a ir à primeira discoteca a que fui aos 15 anos: o Batô, em Leça da Palmeira.
29. Já cantei "A Garagem da Vizinha" do Quim Barreiros em karaoke com amigos.
30. Não me sinto à vontade de salto alto.
31. Adoro salmão fumado.
32. Se fizesse parte de uma banda gostava de ser vocalista.
33. Aprendi a tocar orgão quando era pequena.
34. Desisti do orgão, e também do ballet.
35. Dizem que tenho dedos de pianista.
36. Publiquei um pequeno livro de poesia em 2003.

EN
Funny how time goes by... so fast for some things and so slow for others.
I went back in time and reviewed each of the birthday posts I've written on this blog: 31, 32, 33, 34, 35. I write here for so long?! Funny to review what I wrote and see how some things changed in the meantime... yes, I've already seen all the Star Wars movies, I've visited H. in Switzerland and now I own an iphone.
Still I think the most important thing remains the same: adding another candle in the cake this day and have you on the other side to say happy birthday, thank you!

I'll try not to repeat myself and share more 36 facts about me :)

1. I'd love to have a red Mini.
2. If I had space and money to spare I'd collect mortars.
3. Never liked doing architecture models.
4. My first school teacher thought I was no good at crafts (!).
5. My Portuguese teacher in Secondary school thought I was going to Letters.
6. I don't particularly like surprises.
7. I don't plan to have children, but if I had a daughter I'd call her Constança.
8. I started drinking coffee without sugar and after all is not so bad.
9. I don't like to see napkins folded in a triangle.
10. I love francesinhas, but when I ate it for the first time I found it horrible.
11. They tell me I was born around 2:30 in the morning.
12. I don't like mornings.
13. I usually have my feet cold.
14. I like coriander rather than salsa.
15. When I was little my favorite teddy was a pink panther.
16. I'm more like my father than my mother.
17. I have a fail in my left eye lashes.
18. I've bitten my nails for many years.
19. I don't like almonds, but I love almond cake.
20. I wore braces when I was 12.
21. I'm much less calm than I look.
22. The first time I travelled by plane was to visit S. Miguel, Azores, when I was 15.
23. I rarely cook with an apron.
24. If I laugh at a joke, believe me, it's because it's really funny.
25. My favorite superhero is Batman.
26. I have two books autographed by Gonçalo M. Tavares.
27. I like to dance music of the 80s.
28. I'm still going to the first disco I went when I was 15: Batô in Leça da Palmeira.
29. I've sung "A Garagem da Vizinha" by Quim Barreiros in karaoke with friends.
30. I don't feel comfortable in heels.
31. I love smoked salmon.
32. If I was ever part of a band I'd like to be vocalist.
33. I learned to play the organ when I was little.
34. I gave up the organ, and also the ballet.
35. They say I have pianist's fingers.
36. I published a small book of poetry in 2003.

hello 2016!

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Friday, 1 January 2016


[calendário Beija-Flor]

PT
2015 foi um ano de desafios e de crescimento.
Quando releio o balanço de 2014, apercebo-me de que muito passou num ano!

Em 2015 participei em exposições na Fundação EDP e na Ó Galeria, dei entrevistas para a Fusca e para a Lusa Mater, colaborei com a Stilnest, lancei as novas colecções Clone, Solar e a Modular (mais novidades sobre esta para breve!).
Dei início a um novo projecto: o Tincal lab, que mais do que o meu atelier, quer ser um espaço de divulgação da joalharia contemporânea. Um projecto em crescimento, que me levou a lançar desafios e convites a outros joalheiros, enquanto me desafio diariamente a mim própria.
Vi a minha cara aparecer na Time Out, na Visão, no site da Lux Woman e no P3.

Vi a Frida completar 7 anos e eu mais 28 do que ela.
Fui pela primeira vez ao Primavera Sound e vi bandas que estavam em lista de espera há anos.
Vi muitas exposições, ouvi muita música e li menos do que queria.
Percorri passadiços e terras transmontanas. Revisitei lugares já conhecidos na minha cidade e descobri novos. Visitei amigos, belas paisagens e maravilhas arquitectónicas na Suiça.

Os balanços de fim e as resoluções de início de ano não servem tanto para apelar à nostalgia ou à mudança, mas para nos ajudarem a concentrar naquilo que é mais importante: se no dia-a-dia, as pequenas chatices acabam por ter demasiada presença, quando olhamos para o quadro geral a alguma distância, apercebemo-nos que afinal os bons momentos foram muitos e conseguimos alcançar mais do que pensávamos em tão pouco tempo. Sobra-nos energia e vontade para olhar em frente e dar início ao muito que ainda queremos e temos que fazer.

Resta-nos dar início ao novo ano, que seja um promissor 2016 para todos!

EN
2015 was a year of challenges and growth.
When I read again the balance of 2014, I realize that a lot has gone in a year!

In 2015 I took part in exhibitions at EDP Foundation and Ó Gallery, gave interviews to Fusca and Lusa Mater, collaborated with Stilnest, launched the new collections Clone, Solar and Modular (more news on this one soon!).
I started a new project: Tincal lab, which, more than my atelier, wants to be a space for the promotion of contemporary jewelry. A project in growth, which led me to launch challenges and invitations to other jewelers, while I challenge myself daily.
I saw my face appear on Time Out, Visão, at the sites of Lux Woman and P3.

I saw Frida complete 7 years and me 28 more than her.
I went to Primavera Sound and watched bands who were on my wishlist list for years.
I saw many exhibitions, heard a lot of music and read less than I wanted.
I wandered through walkways and lands of Trás-os-Montes. Revisited known places in my town and found new ones. I visited friends, beautiful landscapes and architectural wonders in Switzerland.

The balances of the past year and new year resolutions don't serve to appeal to nostalgia or change, but to help us focus on what is most important: in the day-to-day life, small annoyances end up having too much presence, but when we look at the big picture at a distance, we realize that the good moments were many after all and we have achieved more than we thought in such a short time. We are left with the needed energy and will to look forward and begin the so much we still want and must do.

It's time to start the new year, let it be a promising 2016 to everyone!

35

6

Wednesday, 17 June 2015



PT
Mais um ano passou. Este ano celebro um número bem redondo: 35.
Tanta coisa mudou nos últimos anos e ao mesmo tempo, sinto que em tanta coisa continuo como sempre fui. Tanta coisa ainda para mudar!

Hoje é dia de celebrar, agradecer a todos os que continuam ao meu lado (mesmo que longe) e sonhar muito também! Por isso hoje decidi partilhar com vocês 35 sonhos de viagem que fui acumulando na lista... sei que muitos são um pouco irrealistas, mas... quem sabe? Sonhar é isso mesmo, certo? Então aqui vai, sonhem um pouco comigo também:

1. Regressar a Paris.
2. Celebrar a passagem de ano em New York.
3. Mascarar-me no Carnaval de Veneza.
4. Percorrer a rota do Transiberiano.
5. Ficar sem respiração ao chegar a Machu Picchu.
6. Visitar o H. na Suiça.
7. Flutuar no Mar Morto.
8. Perder de vista a Grande Muralha da China.
9. Andar de camelo nas areias do deserto.
10. Admirar os fiordes à luz do sol da meia-noite.
11. Viajar numa autocaravana.
12. Entrar na Casa Azul em Coyoacán.
13. Visitar o Museu Dalí em Figueras.
14. Ver a Última Ceia, de DaVinci.
15. Percorrer o Nilo.
16. Tocar o solo sagrado de Hagia Sophia.
17. Ver ao vivo as cores da Índia.
18. Apreciar a vista daquela Ópera famosa do outro lado do mundo.
19. Mergulhar em águas do mar quase transparentes.
20. Marcar uma viagem sem data de regresso.
21. Entrar no escritório de Saramago em Lanzarote.
22. Descobrir ao vivo as diferenças entre as pirâmides de Giza e de Chichén Itzá.
23. Parar em cada uma das Cinque Terre.
24. Visitar todas as Aldeias Históricas de Portugal.
25. Sentir-me chocada no campo de concentração de Auschwitz.
26. Tomar banho na praia deserta, ao luar.
27. Admirar o Rio, do topo do Cristo Redentor.
28. Beber uma caneca de cerveja em Berlim.
29. Comer sushi no Japão.
30. Provar uma iguaria que nem percebo bem o que é, nas barracas da praça Jmaa al Fna.
31. Ver a maré subir no Mont Saint-Michel.
32. Sobrevoar a Capadócia de balão.
33. Ver a neve cair em São Petersburgo.
34. Celebrar a visita de quem partiu no Dia de los Muertos.
35. Ver baleias.

E viagem muito! Sempre, mesmo sem sair do sítio.
Parabéns, a mim :)

EN
Another year's passed. This year I celebrate a good round number: 35.
So much has changed in recent years and at the same time, I feel that in so much I'm still like I ever was. So much still to change!

Today is a day to celebrate, thank all of you who stay beside me (even if far) and daydream a lot too! So today I decided to share with you 35 travel dreams that I keep on my growing list... I know that many are a bit unrealistic, but... who knows? That's what dreams are for, right? So here we go, dream a bit with me too:

1. Return to Paris.
2. Celebrate the New Year in New York.
3. Take part at Carnival of Venice.
4. Take the route of the Trans-Siberian.
5. Running out of breath to get to Machu Picchu.
6. Visit H. in Switzerland.
7. Float in the Dead Sea.
8. Losing sight of the Great Wall of China.
9. Go camel riding in the desert sands.
10. Admire the fjords at midnight sun.
11. Traveling in a motorhome.
12. Enter the Blue House in Coyoacán.
13. Visit the Dalí Museum in Figueras.
14. See the Last Supper by DaVinci.
15. Navigate the Nile.
16. Touch the sacred soil of Hagia Sophia.
17. Admire the colors of India.
18. Enjoy the view of that famous Opera House on the other side of the world.
19. Dive in nearly transparent seawaters.
20. Book a trip without return date.
21. Enter Saramago's office in Lanzarote.
22. Discover live the differences between the pyramids of Giza and of Chichén Itzá.
23. Stop at each of the Cinque Terre.
24. Visit all the historical villages of Portugal.
25. Feel shocked at the Auschwitz concentration camp.
26. Bathe in a deserted beach in the moonlight.
27. Admire Rio from the top of Christ the Redeemer.
28. Drink a mug of beer in Berlin.
29. Eat sushi in Japan.
30. Taste a delicacy that I don't quite understand what it is, in the tents of Jmaa al Fna square.
31. See the tide rise in the Mont Saint-Michel.
32. Fly over Cappadocia in a balloon.
33. Watch the snow fall in St. Petersburg.
34. Celebrate the visit of those who left in Dia de los Muertos.
35. Watch whales.

And travel a lot! Always, even without leaving where you are.
Happy birthday, to me :)

Goodbye 2014...

2

Wednesday, 31 December 2014



PT
2014 está quase, quase no fim... chegada a esta altura, por muito que dia 1 de Janeiro seja apenas mais um número no calendário, é inevitável fazer um balanço do que passou e aspirar a mais e melhor para o novo ano.

Durante 2014 as minhas peças foram viajar até Londres e eu tive o prazer de as acompanhar até Barcelona, para a primeira participação numa feira internacional, a JOYA. Surgiram novos pontos de venda, lancei novas colecções, reorganizei o atelier, rebatizei a página no facebook - que cresceu em quase 1000 gostos - e renovei a imagem do site.

Concretizei o sonho de percorrer a Grécia! E o não tão sonho de ver a minha mala roubada pela primeira vez... mas tive a oportunidade de sentir-me orgulhosa do desprendimento com que lidei com a situação - aquele que devemos ter sempre presente quando perdemos apenas bens materiais.
Andei de carro, de metro, de avião e de barco. Comprei, provavelmente, demasiados sapatos, mas usei-os para passear muito pela minha cidade.
Comi tapas e sushi, provei pratos que nem sabia que existiam e fiquei fã de Gin. Adicionei mais arte às minhas paredes. Aprendi muitas coisas novas.
Senti saudades, reuni-me com amigos que estão longe e fiz a festa com outros que estão mais perto.
Completei 34 anos e continuo sem saber como sentir-me mais velha.

Para 2015, desejo apenas que estes números continuem a crescer... o da idade, o dos amigos, o das novas experiências e o das já conhecidas, mas que tanto nos reconfortam. E também o número de sapatos, porque não?
Que aumente o número de sucessos, objectivos e sonhos concretizados - que o crescimento não seja só em número, mas também - e sobretudo - a nível do conteúdo. Que daqui a um ano possa afirmar-me mais segura do caminho percorrido e da vontade de continuar a traçá-lo no ano seguinte.

Boas entradas para todos!

EN
2014 is almost, almost over... at this point, as much as January 1st is just another number on the calendar, it's inevitable to think about what's passed and aspire to more and better for the new year.

During 2014 my jewelry traveled to London and I had the pleasure of going with it to Barcelona, for the first participation in an international fair, JOYA. My work arrived to new points of sale, I launched new collections, reorganized the studio, renamed the page in facebook - that grew up in almost 1000 likes - and renewed the image of the site.

I fulfilled the dream of traveling to Greece! And the not so much dream of seeing my baggage stolen for the first time... but I was able to feel proud of myself for the detachment with which I dealt with the situation - the one we should always bear in mind when we lose only material goods.
I traveled by car, subway, airplane and boat. I bought, probably, too many shoes, but used them to walk a lot around my city.
I ate tapas and sushi, tasted dishes I didn't even know existed and became a great fan of Gin. I added more art to my walls. I learned many new things.
I missed someone, met again friends who are far away and celebrated with others who are closer.
I completed 34 years and still don't know how to feel older.

For 2015, I just wish these numbers continue to grow... the age, the friends, the new experiences and those already known but that make us feel so reassured. And also the number of shoes, why not?
Let the number of successes, goals and dreams accomplished grow - let the growth be not only in number but also - and most of all - in content. That in a year from now I'm able to feel myself more secure of the path I walk in and of the will to keep walking it for the following year.

Happy New Year for all!

pastéis de chaves e ducheses

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Wednesday, 12 November 2014



PT
É engraçado o tipo de coisas que nos faz lembrar das pessoas, sobretudo as que já partiram.

Quando era mais nova e passeava na baixa com a minha avó (num tempo em que isso era quase um acontecimento e não um hábito regular), chegada a altura de fazer uma pausa para um almoço ou um lanche, acabávamos sempre por parar num daqueles cafés típicos do Porto, que a mim me diziam muito pouco, mas que a minha avó conhecia desde sempre - muito antes do pitoresco estar na moda e do tradicional ser chamado gourmet.

Foi com ela que comi o meu primeiro pastel de chaves. Nunca fui de comer muito, por isso na hora de escolher, ela tentava sempre que eu pedisse muito mais do que me parecia razoável, no seu esforço desmesurado de alimentar-me e ver-me feliz.

Hoje, quando chegou a hora de almoço e me vi na baixa sozinha, entrei num desses cafés e pedi um pastel de chaves - um pastel de chaves e uma sopa, quase uma heresia para aquela criança que provou o seu pastel de chaves pela primeira vez.
Passavam por mim alguns dos mesmos empregados, fitavam-me as mesmas montras cheias e coloridas dificultando a escolha, olhava em volta os clientes habituais que se conhecem pelo nome, as garrafas de vinho tapadas com rolha à espera do prato-do-dia-seguinte, as mesmas mesas encavalitadas entre a parede de azulejos e o balcão voltado para a cozinha - as famosas mesas de plástico com padrões baratos de imitação de pedra e individuais de papel - os cestos de pão e os pratinhos com bolinhos de bacalhau, que de pequeninos têm tão pouco.

Agora há menus com fotos requintadas nas paredes e até serviço take-away de bebidas quentes com nomes estrangeiros como é moderno usar-se, mas o espírito continua o mesmo.
Pessoas entram e saem, com pressa, mas ninguém nos apressa.

Enquanto comia, não conseguia deixar de lembrar-me da minha avó, em conversas imaginárias sobre a escola, amigos ou coisas de que eu gostava. Tantas perguntas e recomendações que na altura me pareciam chatas (chatas não, que é palavra feia: aborrecidas) e às quais respondia com o encolher de ombros típico da idade, sem perceber que aquilo que parecia banal e enfadonho para mim, era para ela novidade e um simples pretexto para ouvir-me falar.
Agora, não me lembro propriamente de nenhuma dessas conversas - lembro-me apenas de estarmos à mesa, com ela a cobrir-me de mimos através do açúcar das ducheses que eu adorava - e era por isso, embora não o soubesse, mas apenas suspeitasse, na altura, que me sabiam ainda melhor.

Uma Viagem à Índia

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Monday, 14 July 2014

De qualquer maneira, ninguém está assim tão vivo.
O inexplicável não é, muitas vezes, o reduzido número de paixões
por dia, mas sim a razão por que não nos atiramos todos,
um a um, a intervalos regulares, de um prédio alto.
Não há duas pessoas que estejam ao mesmo tempo
no mesmo lugar: uma pessoa foge das
outras. No autocarro, lê-se o jornal para não se olhar para o lado.
O frio deixou de entrar pela janela - entra pelas notícias.
Fecha-se o jornal; já podes levantar os olhos: felizmente estás sozinho.

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia
40, canto V, página 221

PT
A leitura de qualquer livro de Gonçalo M. Tavares será, muito provavelmente, uma maravilhosa viagem.
Conheci-o com a leitura de Jerusalém, um pouco por acaso, e quando fechei o livro depois de ler a última página, tive a certeza de que seria um autor que iria reler e reler ao longo da vida.

Difícil descrever a sensação - a de ter descoberto um autor que servirá sempre de referência, do qual irei sempre querer ler os próximos livros publicados ou descobrir os livros que existiram antes disso.
Senti-o com Saramago, aos 15 anos, e nunca voltei a senti-lo com a mesma intensidade.

Uma Viagem à Índia é, definitivamente, um livro diferente. Percebe-se mal se abre o livro, pela forma como está escrito, que a leitura não será fácil nem comum. Uma epopeia moderna, cheia de referências, reflexões, frases-revelação. Exigente e rigoroso, Gonçalo M. Tavares parece encarar o pessimismo com a naturalidade de uma lucidez desconcertante, enquanto aborda os temas da morte, da existência e crueldade humanas com uma intensidade séria e segura, digna de um raciocínio matemático.

Se gostam de ser psicologicamente surpreendidos, não deixem de ler Gonçalo M. Tavares.

EN
To read any book by Gonçalo M. Tavares will, most definitely, be a wonderful trip.
I first contacted his style with the reading of Jerusalém, somewhat by chance, and when I closed the book after reading the last page, I was sure it would be an author I would reread and reread throughout my life.

It's difficult to describe the feeling - to have discovered an author who will always serve as a reference, whose published books I'll always want to read.
I felt it when I first read Saramago, at age 15, and never felt it with the same intensity again. 

Uma Viagem à Índia [A Voyage to India] is definitely a different book. One perceives it in the instant one opens the book, by the way it's written: the reading won't be easy nor common. A modern epic, full of references, reflections, revelation-phrases. Demanding and rigorous, Gonçalo M. Tavares seems to see pessimism with the naturalness of a disconcerting clarity, while deals with themes of death, existence and human cruelty with a serious and self-assured intensity, worthy of mathematical thinking. 

If you like to be psychologically overwhelmed, don't forget to read Gonçalo M. Tavares, a Portuguese author translated in over 45 countries.
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